O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

Régis Alfeu Paiva

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4.3.1 SETOR EMPRESARIAL

Neste item, a pretensão analisar a evolução do número de empresas registradas no Estado, sendo utilizada a nomenclatura oficial na distribuição por setores.

A série possui dados entre 1996 e 2003, sendo necessário proceder o ajuste entre este período e os dos financiamentos. Com isso, foi necessário excluir algumas linhas79, pois as mesmas não tiveram valores liberados (ou foram menos de três) no período analisado. Foram considerados apenas os valores dos financiamentos nas correlações com as linhas Proderur; Prodetur; Prodesin; PRONAF =A‘; PRONAF =C‘; PRONAF =D‘; Promicro; Proagrin.

4.3.2 NÚMEROS DE EMPRESAS DA DIVISÃO DE COMÉRCIO

A divisão de Comércio possui três categorias, a saber: de veículos, motocicletas e comércio a varejo de combustíveis; por atacado e; varejista (Tabela nº 35). O gráfico nº 32 revela ser o total de empresas dependente da quantidade de empresas do nicho Comércio à Varejo. Os outros setores apresentam, durante o período amostrado, momentos tanto com curvas semelhantes quanto destoantes. Não é demais relembrar ser o comércio o principal empregador no Estado (43%), motivo desta análise em separado. 

A análise estatística (Anexo nº 01, Quadro nº 21) mostrou correlação principalmente entre o setor de atacado e varejo (entre estas e combustíveis/veículos somente no teste de Pearson). Nada de estranho neste dado, por ser um setor dependente do outro.

Em termos de linhas de financiamento, houve ligação principalmente para com o Proderur em todos os testes para o varejo e atacado para não-paramétrico, e com o comércio de combustíveis no teste de Spearman. A linha Prodetur com o varejo (Kendall) e atacado e varejo (Spearman).

A linha Prodesin teve correlação em ambos os testes não-paramétricos. Os volumes de financiamentos Totais e Agrário tiveram correlação com os três setores no teste de Pearson e Spearman (exceção deste para com comércio de combustíveis e os totais agrários). Já com relação ao teste de Kendall houve divergência, revelando correlação entre os totais e o varejo e o agrário com o atacado.

A linha Comserv só tem registros de financiamentos após 2002, enquanto a série do IBGE tem dados somente até esta data. É bastante provável que estudos baseados em dados mais atuais revelem correlação. Com relação a pouca correlação geral do setor de veículos, motocicletas e comércio a varejo de combustíveis, a explicação pode estar correlacionada com os dados da linha Comserv, pois é a partir de 2002 que cresce o número destas empresas, como pode ser visto nas fotos em anexo de postos de gasolina e lojas de veículos financiados pelo FNO.

A importância da linha Proderur revela ser o Acre um Estado ainda influenciado pelo setor agrário, mas principalmente pela grande propriedade (o que se encaixa nos elevados coeficientes de Gini).

É possível que devido ao fato desta classe dispor de maiores recursos financeiros se dedique mais ao consumo que a classe de pequenos produtores, que apesar de terem número maior de contratos, recebem muito menos em cada um deles, com menor espaço de manobra para outras compras (no caso de combustíveis e de veículos). Além disso, é pequena a quantidade de maquinário nas propriedades locais.

Por outro lado, é preciso ressaltar a força dos recursos investidos na indústria (Prodesin). A pressão exercida pelos recursos desta no setor de varejo é um indicativo de aumento no número de vagas ou no volume de salários, o que por sua vez pressionou o setor e obrigou a sua expansão e este, também por sua vez, pressionou o atacado.

A análise estatística revela principalmente uma correlação por conta do aumento do meio circulante no Estado expresso no aumento da demanda, pois todos os testes revelaram ligação positiva tanto para os totais quanto para o volume destinado ao setor agrário.

No caso deste, é conveniente destacar que o volume agrário é influenciado quase à metade com os recursos da pequena propriedade, mostrando a importância do montante e não do número de contratos. Isso se coaduna ao afirmado na análise do Proderur.

De maneira geral, os recursos do FNO foram benéficos para o Estado, senão nas linhas específicas, pelo menos no montante investido. O dado é mais um ponto a revelar a pobreza natural do Acre, no qual a produção de riqueza é pouco significativa e os recursos que movimentam a economia são externos.