O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

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Régis Alfeu Paiva

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4.1 EMPREGO FORMAL

Em termos de análise dos dados, verificou-se não haver uma seqüência ou padrão no índice geral de emprego, com os valores mensais variando ano a ano, ainda que o valor seja positivo no acumulado ao longo do período analisado.

Os anos entre 2002 e 2004 apresentam os piores resultados, mostrando ter o Estado passado por uma crise na geração de empregos. O pior resultado foi verificado no ano de 2003. Na média mensal relativa a todos os setores, verifica-se uma tendência de crescimento mais forte a partir do mês de março, com o ápice em julho e decréscimo a partir deste mês, tendo os piores resultados sido registrados a partir de outubro, sendo o de dezembro aquele a registrar o maior número de demissões.

Os resultados apontam a possibilidade das contratações temporárias do Natal estarem se dando informalmente. Tudo indica também haver uma correlação entre o nível de emprego e a precipitação pluviométrica, pois esta é maior entre outubro e março, ocorrendo o oposto com as contratações (Gráfico nº 20). Contudo, não foi possível conseguir os dados relativos à média histórica das precipitações no período estudado, pois as mesmas não estão disponíveis para a comunidade acadêmica, mesmo havendo uma estação de climatologia na UFAC coletando os dados.

Os meses de novembro e janeiro apresentam, na maioria dos anos estudados, resultados negativos. Fevereiro e outubro apresentam dados similares entre si. O maior número de postos de trabalho fechados ocorreu no mês de dezembro de 2003, com 684 demissões, sendo este o que apresenta a maior média mensal de demissões e o único a registrar retração em todos os meses do período estudado. A maior quantidade de
contratações ocorreu em julho de 2002 (602).

O saldo médio mensal (vide Anexo nº 02, Tabela nº 11) no período estudado é de apenas 69 contratações, sendo que anualmente o somatório é de 826. As médias são: Janeiro, -27; fevereiro, -10, Março, 40; Abril, 165; Maio, 156; Junho, 146; Julho, 303; Agosto, 271; Setembro, 171; Outubro, -18; Novembro, -32 e; Dezembro, -336.

Cabe ressaltar que estas médias são influenciadas pela ausência dos dados referentes aos meses de 2006 (dados cobrem somente até o mês de maio). O Gráfico nº 21 mostra a falta de padrão no período, sendo que os dados ruins relativos ao ano de 2006 ocorrem por falta dos dados referentes aos últimos sete meses.

A partir dos dados analisados, verifica-se a falta de estabilidade no emprego formal estadual. Isso reforça a tese de que o Estado pouco produz de poupança interna, sendo dependente do =capital bumerangue‘73. A falta da geração de riquezas não permite a formação de um mercado consumidor estável no Estado, levando a uma instabilidade generalizada no que tange a geração de postos de trabalho.

As poucas indústrias e a insipiência do setor agrário (exceto pecuária de corte) resultam em um mercado imperfeito e instável, no qual tudo gira em prol dos servidores públicos, quer sejam civis ou militares, federais, estaduais ou municipais, sendo estes os executores do retorno do =bumerangue‘.

Esta força centrada no poder público pode (ou deve) ter levado o Banco da Amazônia (e o FNO) a atuar de forma a atender mais os interesses comerciais que propriamente de desenvolvimento.

Atendeu ao mercado e as forças dele, sendo que este =vende o jantar para comer no almoço‘74.