O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

Régis Alfeu Paiva

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4.2.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A EVOLUÇÃO DA RENDA

A análise da evolução da renda no Estado revela o empobrecimento da população no período estudado, com uma redução na =classe média‘ e aumento das classes pobre e miserável (sem renda). A renda média apresenta uma curva decrescente a partir de 1996, caindo de R$ 478,23 naquele ano para R$ 364,76 em 2005. Isso implica em uma queda de 24%, sendo que a inflação acumulada no período medida pelo IPCA registrou 55,6%. Esse movimento de redução ocorreu após uma pequena oscilação ascendente.

Já a mediana apresenta quadro similar a partir de 1995, em que apresentou um valor de R$ 239,38, sendo que 10 anos depois era de apenas R$ 184,00. Neste caso, a redução foi de 23%. Com isso verifica-se que a economia local está estagnada desde meados dos anos 90.

Este dado comprova a afirmação de Amin (2002), quando este afirmou ter havido pouca ênfase ao desenvolvimento de uma economia de mercado. Da mesma forma, mostra a decadência da capacidade do recurso público (FPM, FPE e financiamentos para o Estado) de promover o crescimento da economia.

Em termos de correlação entre o FNO e a renda acreana, é possível afirmar que os investimentos na pequena propriedade são os que melhores resultados apresentam. Por outro lado, verifica-se a possibilidade do investimento na grande propriedade (rural ou não) não estar contribuindo para a geração de renda.

Isso está de acordo com o pensamento de Zara (2006), pois o crédito pode ter sido direcionado para quem já o tem. O FNO teve correlação baixa para com a renda estadual e não foi capaz de se correlacionar com a melhora necessária. Com isso e sem um programa de Estado voltado para o desenvolvimento, dificilmente o Acre poderá reverter sua condição histórica de miséria.