O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

Régis Alfeu Paiva

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4.1.9 AGROPECUÁRIA

A fraca evolução do emprego no setor agropecuário é um reflexo da política governamental voltada para o extrativismo, notadamente o madeireiro. Entretanto, cabe ressaltar ser o emprego rural sujeito a sazonalidade e que dificilmente os trabalhadores neste setor são registrados. Mesmo assim, o saldo de 272 vagas em oito anos (Anexo nº 02, Tabela nº 20) é muito pouco para o potencial de qualquer Estado, mesmo que seja o acreano da =Florestania‘.

Apesar de pouco expressivo, o setor apresenta saldo positivo (mínimo) em todos os anos analisados, com destaque para o ano de 2004 (79 contratações) e para os meses de maio (2006) e julho (2004), onde foram contratadas 99 e 105 pessoas (respectivamente). O Gráfico nº 30 mostra crescimento nos anos eleitorais.

A agropecuária apresenta uma curva média mensal de contratações a partir de janeiro até setembro (exceção para março), quando inicia um ciclo de retração até a retomada em janeiro.

Os meses de maiores médias foram maio e julho, com destaque ainda para agosto.

A análise estatística revelou não ter o FNO correlação para com o setor, exceto negativa para a linha PRONAF =D‘. Os motivos deste resultado são de difícil compreensão, mas é possível que os recursos tenham pressionado por conta de contratações não registradas e até mesmo por produtores empregados que passaram a trabalhar em suas próprias áreas, mas qualquer afirmação mais detalhada carece de confirmação.

4.1.10 OUTROS

Os outros setores têm muito pouca influência na economia estadual, dada sua insipiência (Anexo nº 02, Tabela nº 21). Não houve também correlações estatísticas entre este setor e os recursos do FNO.

4.1.11 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS EMPREGOS

De maneira geral, verifica-se ser bastante provável que a vida do acreano seja fortemente influenciada pelo volume de precipitações pluviométricas, pois isso influencia fortemente as contratações com carteira assinada.

Outro ponto é a dependência dos demais setores em relação ao setor público, pois há oscilações positivas nos anos imediatamente anteriores e nos de eleições, seja em termos de construção civil, comércio ou mesmo na agricultura.

Além disso, o VBP (em 2002, último ano com informações) da Administração Pública, Defesa e Seguridade Social era de mais de 1/3 do total estadual (ACRE, 2005). Com valores tão altos, é lógico haver dependência por parte dos outros setores. Ou seja, quando o paquiderme da máquina pública se movimenta arrasta os outros. Isso seja com relação ao aumento de obras, na liberação de recursos ou mesmo na redução das exigências para desmates.

Em termos de análise estatística era esperado mais correlação entre o FNO e o número de vagas, principalmente na agricultura. Contudo, este dado veio em relação ao comércio. Neste caso, o destaque foi para o PRONAF =A‘, mostrando que os investimentos na pequena propriedade trazem resultados rápidos nos outros setores. Assim, de maneira geral, o FNO não foi condicionante na geração de empregos no Estado.