O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

Régis Alfeu Paiva

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2.1.3 AGROPEC

Esta linha de financiamentos registra liberações a partir de 2004, com 244 contratos e R$ 55 milhões (Tabela nº 04). A média histórica é de R$ 226,5 mil por contrato.

Rio Branco concentrou 76% de todos os recursos disponibilizados. Sena Madureira e Xapuri (1,0% e 3,1% acima, respectivamente), também foram privilegiadas com mais recursos que população. As outras foram preteridas.

É bastante provável ter a Agropec substituído o Proderur, mas como aparecem em separado nos dados fornecidos pelo Banco da Amazônia, foram analisadas de forma distinta. Contudo, como têm ambas clientela entre os maiores proprietários, não há problema serem avaliadas distintamente, pois devem ter mudado os critérios de contratação.

A evolução agrícola, pecuária e extrativismo, podem ser creditados aos investimentos do FNO. (SANTANA, 2002), mas esses recursos foram direcionados principalmente para a atividade pecuária e as lavouras permanentes, prejudicando as lavouras de subsistência.

(FERREIRA; MENDES, 2002; AMIN, 2002).

Assim, o interesse de investimento no setor rural pode ser ainda explicado devido ao elevado retorno dos recursos investidos no setor. Bittencourt (2003), baseado em Bonelli (2001), afirma que um aumento de 1% na renda agropecuária causa uma variação da mesma ordem na renda dos demais setores.

Por isso, a crítica não é em relação ao apoio dado pelo Estado ao setor agropecuário, mas sua priorização aos setores latifundiários em contraposição ao pouco apoio à agricultura familiar ou às pequenas propriedades. Além de concentrar recursos nas mãos de poucos, isso pode ter significado uma pressão maior sobre o ambiente e ampliando os problemas relacionados com a devastação. Este raciocínio vale também para o Proderur.

2.1.4 EXPOFEIRAS

O apoio do Banco da Amazônia a eventos somente tem registros a partir de 2004. Rio Branco lidera com 9% acima do equivalente populacional, seguida por Xapuri (9%) e Tarauacá (4%).

As outras tiveram recursos em escala menor que o equivalente em população (Tabela nº 05).

Cabe ressaltar que no Estado existe apenas uma feira de maiores proporções, a Expoacre em Rio Branco, sendo as outras feiras municipais pequenas e incipientes em termos de público e negócios.

Aliás, neste caso, até mesmo a feira da capital tem sido criticada pelo grande volume de bares, restaurantes e lojas comerciais, não sendo propriamente um evento para divulgar a produção local, seja ela artesanal, agropecuária ou industrial.