Comportamento & Moral

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

FRATERNIDADE E ENCARCERADO

Todos os anos, a Igreja Católica lança uma Campanha para sensibilizar o povo, sobre os problemas sociais que existem naquele momento histórico. Isto vem de longas datas, com temas importantes para meditação e reflexão profunda, da atuação dos seres humanos aqui no planeta terra e o que estão fazendo pela humanidade. O do ano de mil novecentos e noventa e sete (1997) é justamente “fraternidade e encarcerado”, devido às condições em que se encontram os presos nos cárceres super lotados, a alimentação fraca e muito pouca e as condições sub humanas em que eles se encontram hoje em dia. Sendo assim, este artigo tenta justamente explicar estas questões, não pelo ponto de vista dos católicos sentimentalistas, mas enfocando o ponto de vista espírita, que dar mais solidez ao fato real das múltiplas encarnações ser o aprendizado para libertação.

Ao abordar o tema “fraternidade e encarcerado”, faz-se necessário que se inicie pelo entendimento do termo fraternidade, que nada mais é do que parentesco de irmãos, amor ao próximo, harmonia, concórdia, de acordo com os dicionários da língua portuguesa, que presta grande ajuda nesta hora. Por outro lado, encarcerado pode ser entendido como sendo todo aquele que se encontra preso, por não ter cumprido o que determina a sociedade, ou mais concretamente, os ensinamentos para sua evolução, como mestre maior em busca da perfeição e da pureza. O importante não é que, os que não estão encarcerados se confraternizem com os que se encontram nos presídios cumprindo pena, no entanto é fundamental que os encarcerados procurem entender o seu processo e demande se igualar com os que estão fora dos centros de reabilitação carcerária.

As facilidades são muito grandes quanto ao sentimento de alguém se apiedar frente a um fulano que se encontra nos presídios, todavia, a ocorrência de tal fato, deveu-se por conta de sua imprudência nos momentos de alguma tentação, cujo interior inferiorizado não conseguiu seu auto controle, liberando-se para o mal. Por que este encarcerado, em tal instante de tentação não se conteve e foi fraternal com o outro? Quando as dores físicas aparecem aos olhos de quem tem um pouco de piedade, clama-se por justiça para aquele que praticou tal ato, que não mediu as conseqüências. A discussão “fraternidade e encarcerado” é muito complicada e difícil, tendo em vista que o ser humano não sabe medir as suas impulsões de maldade, esquecendo que a liberdade de sua inferioridade depende também daqueles outros que infringiram a lei divina e a dos homens.

A pessoa que se encontra encarcerada praticou algum ato iníquo, sem dimensionar os efeitos de sua irresponsabilidade, que nada mais é do que as inferioridades de vidas passadas atacando a todo momento, aqueles que ainda não têm condições de seu auto controle, ficando a mercê dos companheiros que possuem a mesma vibração. Os aprisionados estão nesta situação, devido ter um curriculum de fraticídios, seqüestros, roubos e furtos, estupros, arruaceiragem, traficância, assaltos e muitas outras formas de ter infringido o direito dos seus irmãos que caminham tão bem, em sua maneira de ser. Quem pratica tais atos macula o seu perispírito, constrói um futuro negro, não somente de vidas futuras, como também do futuro da vida presente. Porém o que pesa mesmo é a mancha negra que esconde o seu “eu”, ficando à espreita de seus companheiros.

O ser humano fraternal tem um bom coração. Já tem dentro de si o sentimento de piedade, de ajuda ao próximo, de compreensão e de entendimento, porque o seu livre arbítrio já se abriu ou se elasteceu bastante, diante dos conhecimentos que a vida cotidiana proporciona a todos que abrem sua mente à evolução. O fraternal, mesmo numa situação difícil, acalma-se e foge da perturbação daqueles que não se encontram no seu nível de progresso na longa trajetória da vida, que segue de encarnação a encarnação, para eliminar a sua materialidade e conseguir ser etéreo. As forças inferiores estão sempre ao lado dos seres renitentes, que se locupletam com as suas maldades, e de seus amigos coadjuvantes, todavia, os irmãos bons afastam-se, deixando que eles sigam as suas deliberações, porque cada ser tem a sua liberdade individual de escolher o que fazer.

Em observação às pessoas que vivem no planeta terra, verifica-se que, em sua maioria, a atuação do instinto bruto é quem fala mais alto, quando o ser humano reage a qualquer ofensa, por pequena que seja, com impropérios ou outros insultos, como quem está retornando à pedra que lhe foi atirada, e ele tem que revidar. Outros irmãos têm reações diferentes, dependendo do nível de evolução em que se encontram, como por exemplo: quando acontece a mesma coisa, o amigo não reage, mas fica vermelho ou branco, como prova de que a sua inferioridade foi atingida, talvez com pouca intensidade. A inferioridade do ser humano não se eliminará somente com fraternidade, com sentimentalismo, com pieguice, mas com sofrimento, dores, ao encontrar com aqueles que estão nas mesmas condições de poderoso da maldade, de líder da inferioridade e de ditador em sua ignorância.

Diante de tudo isto, os pseudo intelectuais querem ignorar a reencarnação em prof. RIVAIL (1857) e a palingênese de PITAGÓRAS (Séc. IV a C.), em troca de uma ciência fraca e de acordo com os conhecimentos humanos, que só quer ver o imediatismo de quem não enxerga além daquilo que se possa medir e pesar com tudo que está ao lado. A vida presente é um somatório de todas as vidas passadas, como acumulação de bondades e maldades que foram adquiridas a cada instante de encontro do ser humano com os outros que também precisam crescer para a vida eterna, vivendo a atualidade. Com este maneira de pensar, não se consegue eliminar o seu passado com leitura de Bíblia, de Alcorão, de Torah, de Bagavah gita, de Livros dos espíritos, ou qualquer leitura, porém o fundamental são as experiências do cotidiano, as quedas, os sofrimentos e as dores dos encontros nefastos.

Sempre se buscou entender religião, estudando filosofia, discutindo ciência, lendo história e nos grupos intelectuais se intrometer, como um conhecedor profundo do acontecido a muitos e muitos anos distante de sua era, cujas conversas, são hipóteses que carecem de lógica e coerência na explicação dos fatos. Graças ao Criador Maior, os espíritos encarregados de tal missão, voltaram ao planeta terra para explicar tudo aquilo que as percepções humanas não têm condições de desvendar com facilidade, o por quê de como tantos fatos acontecerem no dia-a-dia do ser humano. Somente o espiritismo oferece provas mais convincentes sobre os atos que os homens e os animais praticam no cotidiano de suas relações uns para com os outros, tanto em termos de bondade e de maldade, que é o mais comum em todos aqueles que não conhecem os seus limites de aprendizado.

O viver a vida plenamente é quem proporciona condições de que se possa se libertar das inferioridades que existem dentro de cada um, ampliando o seu livre arbítrio e saindo do determinismo, dos instantes de animalidade que o ser humano ainda não se libertou, pois, o que ainda perdura é o instinto bruto. Não se pode ter livre arbítrio quando não se têm condições de auto controle, onde suas idéias não prevalecem, onde os outros da mesma vibração é quem orienta a todos que não têm condições de caminhar com os seus próprios pés, cujos orgulhosos, vaidosos, gananciosos são seus guias. Assim sendo, com fraternidade inconseqüente, quais são as oportunidades que o ignorante do bem vai ter, para compreender a sua maneira de vida, as suas projeções, o seu interior e sentir em sua frente os outros que precisam do seu progresso para ter um exemplo real?

Verdade se faz que as pessoas tenham que ter fraternidade para com todos, especialmente para com os encarcerados, dentro de um processo de vibração, ou de oração, ou de prece para que ele possa minorar as suas vibrações umbralinas para poder enxergar, ou ter oportunidade de compreender a vida tal como ela é. Tudo isto deve ser feito sem a pieguice dos donativos, do aceitar Jesus o CRISTO como pregam alguns grupos religiosos, do compadecimento infrutífero de quem lamenta o sofrimento dos encarcerados, devido presídios lotados, promiscuidades e falta de alimentação adequada. A fraternidade dever ser encarada pelo prisma da irmandade que respeita a individualidade de cada um, como oportunidade de reduzir suas inferioridades e poder conviver bem, como irmãos uns para com os outros, deixando que cada qual viva a sua vida dolorosa ou não.

A fraternidade é confiança que as pessoas têm que ter. O se doar para ajudar uns aos outros, em qualquer circunstância. O dar liberdade para que todos possam sorrir em conjunto, dentro de um clima de companheirismo, de amor uns para com os outros e amizade em todo os sentidos, que lhes possa parecer. O encarcerado por mais que se queira ajudar, jamais alguém vai ter a confiança de lhe proporcionar a liberdade de um amigo leal de todas as horas, tal qual era antes de quebrar o código de ética da sociedade, que até então não via a sua inferioridade e seus impulsos animalescos. Desta forma, “fraternidade e encarcerados” são duas palavras que não se convergem em momento algum, cujos envolvidos podem até adotá-las nos pára-brisa de seu automóvel, ou nos bate-papo de sua Igreja, no entanto, fica muito distante da realidade em que se vive.

Como é que pode, uma pessoa que matou impiedosamente um ser humano, porque está encarcerado, ser recebido com pomposidade e benevolência dentro de um presídio, que tem o objetivo de proporcionar oportunidade, a que o delituoso possa meditar um pouco sobre o seu ato e tentar reverter a sua situação. Depois de praticado o seu ato nefasto, perde-se a confiança, porque a sua maneira de ser para a sociedade, passa a ser a real, a do seu interior inferiorizado, sem capacidade de seu auto controle, e sem consciência na construção de um promissor futuro. Diante de tal exemplo, não há como usar de fraternidade para com aquele que a qualquer instante tenta lhe roubar, tirar a sua vida, seqüestrar-lhe, ou estuprar uma sua filha ou sua parente, devido a sua impulsão animal ser o entendimento mais forte de seu viver triste e rejeitado.

Não é uma Campanha que vai restabelecer a fraternidade entre os que estão fora da prisão e os que estão cumprindo pena, por seus atos delituosos que a sociedade repugna e abomina severamente todos aqueles que ainda não vivem as diretrizes de seu próprio “eu”, que precisam compreender que eles existem e devem ser respeitados. O homem encarcerado perde todo o respeito da sociedade, mesmo que muitos de seus irmãos ainda vivam na sua inferioridade, no entanto, não foram tocados para que tal moléstia não fosse acesa na prática de qualquer ato reprovável como encarnado. Em suma, não se deve perder de vista a utilização da “fraternidade e encarcerados”, dando uma força para que se possa enxergar o “eu” e tentar sair de tal desgraça, não para a vida daquele momento, mas para adquirir um crédito no mundo espiritual, na compreensão de uma vida, sem revolta.


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