Comportamento & Moral

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

A FAMÍLIA

Os segmentos religiosos estruturaram a questão da família como algo importante para a formação do ser humano, desde o início de sua vida encarnada até o momento de seu desencarne, e neste sentido criaram os tabus sobre a congregação familiar, a tal ponto de barrar o processo evolutivo do homem. Em verdade, a família tem uma função fundamental na sociedade por ser uma primeira escola em todos os sentidos, e ser também um elemento primordial na formação moral de todos que necessitam conhecer o caminho da verdade e da vida, tal como atribuem a JESUS. Com o objetivo de melhor entender esse processo é que este artigo busca investigar com detalhes, os diversos ângulos como se pode encarar o problema da família, para tornar claro o seu verdadeiro conceito e como se pode melhorar esse relacionamento com a religiosidade.

A família é uma instituição normal de pessoas que, com a formação dos agrupamentos humanos, bem como a sedentarização do ser humano, e a divisão social do trabalho, a necessidade de junção do homem com a mulher foi providencial, tendo em vista que os afazeres são diferentes, e os dois se completam claramente. Essa união transcende à questão sexual, porque essa problemática faz parte do processo, e não é o fundamental na existência dos seres pensantes da terra, que têm outros objetivos mais prementes do que qualquer aparecimento do impulso instintivo. Infelizmente, a questão sexual surge em quase cem por cento das uniões que vão formar a família, que algumas vezes duram pouco tempo, em outras, escravizam os companheiros para o resto da vida, numa situação de desconforto, infelicidade e muito sofrimento duradouro.

Em um passado bem distante, as famílias eram constituídas por pirraças entre grupos, ou para acúmulo de riqueza, como faziam os guerreiros imperiais, na junção de reinos e consequentemente de poder, para dominar um grande número de escravos e ter maior possibilidade de defesa frente aos agressores. Da mesma forma, o processo de conquista criava posse sobre outros grupos, e como resultado teria a formação de famílias por meio de escravização, cujo lar vivia não sob o amor entre os dois, mas sob o comando da ditadura do vencedor da batalha que conseguia esposa. Sem dúvida, todo este processo continua até na atualidade, não dos saques, da escravização e da junção de poder tais quais, mas sob a mentalidade escravagista e dominante que ainda perdura no interior de quem não evoluiu pelo caminho da libertação individual.

Entrementes, inicia-se no mundo atual a família, com o namoro de dois jovens apaixonados, levados pela beleza física ou por atração sexual irresistível, que ambos denominam de amor, cuja acepção primeira do termo não é este, mas o aparecimento do lado instintivo que todos têm e algumas vezes aparece com mais força. Com o processo de comunicação moderno, onde todos conhecem tudo e não querem aceitar de forma alguma o seu lado animal do impulso e do instinto, com certeza, somente a força é quem resolve seus problemas pessoais uns frente aos outros. Dificilmente deixam que a razão seja a força maior, na solução das dificuldades que sempre aparecem, como formas de expiar ou de provar, que tem condições de compreender os ensinamentos mais avançados, que são necessários ao engrandecimento do ser humano.

Depois desta parte introdutória, formaliza-se o casamento de dois jovens que vão se unir para construir família, isto significa dizer ter filhos, netos, bisnetos, dando prosseguimento à espécie pensante no mundo que depende dessa relação para a dinâmica da evolução de todos os seus habitantes. A formação de uma família é uma oportunidade que se tem, para poder vir ao mundo e assumir um corpo físico, para desfrutar de momentos de descobertas e tentar compreender o caminho da verdade, ou chegar à pureza dentro de um processo de aprendizado e trabalho. Os pais de alto nível espiritual ou não, participam deste processo de formação, orientando dentro de suas conveniências os primeiros passos, ou até mesmo ao completar mais ou menos doze anos, os princípios religiosos de compostura e moral diante do altíssimo nível.

Não há como negar que semelhantes atraem semelhantes, portanto, muitos espíritos inferiores nascem dentro de uma família inferiorizada, pela sua ligação com a materialidade e o princípio instintivo que trazem consigo, que não conseguem se desvencilhar com muita facilidade. Isto não refuta a possibilidade de que espíritos bons e amigos possam vir nascer num ambiente de condições espirituais precárias, tendo em vista que estes irmãozinhos inferiores precisam justamente daqueles que tenham certa consciência para poder dar oportunidade de crescimento. No mundo existe esse balanceamento natural de espíritos virem para dar exemplos de paciência, de resignação e de ajuda a todos que estão ao seu lado e isto acontece tanto nas famílias pobres, como nas famílias ricas, para todos terem oportunidade de evolução.

Num lar, não existe a tolerância consciente de igual para igual entre marido e mulher, no entanto, quando um é autoritário o outro é subserviente ou vice versa, talvez não porque queira, mas para poder viver num mesmo lar, caso contrário, o casamento duraria muito pouco tempo, como é comum na juventude moderna. O autoritarismo de um conduz a que o processo de aprendizado dos filhos seja dificultado, cujo medo é a preponderância, criando nos subalternos terrorismos, psicoses e neurastenias que infelizmente passarão para os filhos, atrapalhando o seu processo evolutivo. Neste clima vivem todos, que muitas vezes, ao invés de treinarem a oportunidade que têm, para a compreensão de sua atividade como encarnado, muitas vezes ou quase sempre, é sacrificada pelo desajuste existente no conjunto do meio familiar.

Como se sabe, o núcleo familiar é o ambiente onde espíritos se juntam com a finalidade de por em prática alguns ensinamentos que tiveram do outro lado da vida, como um preparo para suportar os momentos de indelicadeza de um dos cônjuges, a mulher ou o marido, ou até mesmo de um filho problema. O lado belo da convivência a dois se dá pela silhueta da mulher ou de sua face bonita, bem como da do homem, que como uma mágica, esconde aquela parte que deverá aparecer depois de um ano de casado, ou de alguns anos do nascimento do filho, que antes era uma pérola. O importante nisto tudo é que as coisas aparecem, ou são descobertos ao longo da convivência e isto é oportunidade de, no processo de descoberta, poder haver o ajustamento necessário dentro de um clima de cordialidade e de irmandade entre todos que têm o mesmo objetivo, a evolução espiritual.

Quando as descobertas começam a surgir, muitas vezes geram revoltas e intransigências que culminam com separação e transmissões de farpas como se fosse um jogo de ping-pong, como resultado catastrófico para ambas as partes, que não entenderam a caminhada que todos deveriam seguir. Sem dúvida, a formação de um lar parte da atração sexual e é este meio que vai destruir esse processo de progresso entre os dois e seus filhos, tendo em vista que o instinto fala mais alto quando se trata de satisfazer os desejos pessoais do homem ou da mulher, especificamente do homem. Quando no casamento, a sexualidade é o fundamental e só um tem mais aflorado esse lado instintivo, os problemas se avolumam cada vez mais, porque o amor não existe com a efervescência que denota o desejo de satisfação dos sentidos materiais de quem não se libertou de sua inferioridade.

Dificilmente o casal tem o instinto igual da sexualidade. Um só vive para tal coisa, o outro já é bem a menos e às vezes, não com aquele afã tão grande pelo sexo, como muitas pessoas o têm e até como um meio de vida, como se aquilo fosse o ponto fundamental entre pessoas de sexos opostos. Inegavelmente, este não é o ponto principal na vida de ninguém, é apenas um complemento, como resquício de uma materialidade com animalidade, que ainda existe no ser humano, ao considerar que faz parte do processo e até ajuda na conscientização para libertação. Um dos pontos das separações, ou talvez o único é esta sexualidade, ao considerar que o descontrole instintivo pelo sexo conduz ao desajuste entre marido e mulher e por conseqüência, a desagregação da família com desajuste sobre filhos que almejam aprendizado e amor.

A família é uma condição natural no processo de evolução dos seres humanos e porque não dizer dos seres animados e inanimados pelo seu processo de afinidade e o chamamento, para participar do progresso onde todos estão envolvidos, desde os minerais, os vegetais e os animais racionais ou não. Em verdade, os espíritos superiores trabalham para que tudo dê certo, todavia, não se intrometem na composição de uma família, apenas ajudam quando são solicitados, pois o agrupamento familiar se processa como se fosse um ímã, sugando os seus afins ou para ajudar ou para ser ajudado. No mundo material, tudo se processa como se fosse uma sucção, isto é, uma força forte puxando para o seu convívio, todos aqueles que são do seu meio, pois enquanto existir algo que os ligue, eles voltam sempre para participar do processo de limpeza perispiritual.

Até mesmo JESUS, ao considerar a Bíblia, veio porque tinha algo de materialidade que o obrigou a retornar ao planeta para terminar o seu ciclo de reencarnações aqui na terra, é claro já com quase nada a restituir a este ambiente, mas provar que se libertou de tudo que existe num mundo de trevas, sofrimento e dores e ele venceu. Inegavelmente, a sua família era uma família normal, como qualquer uma outra, porém há de se crer que um espírito da estirpe de JESUS, não encarnaria em qualquer família, mesmo sabendo que os espíritos de luz encarnariam em qualquer grupo familiar, mesmo nos menores possíveis. Isto é um fato, porque nada de materialidade atrapalharia o seu processo, devido as suas condições de espírito consciente e imune do ímã da lei de afinidade, que é uma grande justificativa para encobrir as delinquências de quem não se domina perante as suas atrações.

Em resumo, a família é algo que deve ser muito bem estudado, não somente pelos espíritas, mas também pela Sociologia, pela História, pela Economia, pela Psicologia e pela Filosofia, porque todas essas ciência completam o entendimento espiritual de como enxergar a vida muito difícil de ser entendida. Geralmente se observa a família pelo lado do sexo, ou de agrupamento de abastados para aumentar riqueza, ou tentar desmoralizar um outro grupo, que se mostrava prepotente perante a sociedade circunvizinha, demonstrado orgulho e vaidade. Portanto, a família é um segmento importante para a evolução dos espíritos, que têm afinidades e necessitam desse confronto para se aturarem e poder suportar os problemas, que se lhes apresentam a cada instante, para superarem as dificuldades através da limpeza perispiritual, para a convivência com o amor e a felicidade.


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