MESA MEDIÚNICA: UMA PRÁTICA
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ÉTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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MESA MEDIÚNICA: UMA PRÁTICA

Os trabalhos mediúnicos são muito cobiçados por aqueles que querem conhecer os mistérios da vida espiritual, as conversas com os espíritos, as manifestações que acontecem, as linguagens deles, e muitas outras maneiras de sentir que está perto do sobrenatural, do desconhecido. Esses tipos de coisas geralmente só acontecem em uma mesa mediúnica, onde os irmãos dão comunicação, falam sobre seus antepassados, sua história, e até revivem momentos desta vida que se passaram com eles e seus colegas e amigos, daí muitas pessoas se interessarem pelo espiritismo. É pensando nessa gente que se pretende mostrar o que acontece numa mesa mediúnica, sem mistério, sem invenções, e com nada de extra-normal, porque espiritismo é vida e não brincadeira com o outro mundo, isto é, dos espíritos.

Muitas pessoas pensam, até mesmo alguns dirigentes de Centro Espírita têm a idéia de que deve existir um trabalho em separado sobre o mediunismo, para conversar com os irmãos que querem dar sua graça, mostrar para a humanidade que eles existem, e estão prontos para ajudar, bem como pedir ajuda. Um trabalho mediúnico acontece em qualquer lugar, quando se está falando sobre os ensinamentos atribuídos a JESUS, porque os espíritos para muitos, são invisíveis e, neste momento, conscientizam-se de seu estado de sofrimento e dor, pois procuram o caminho mais correto a seguir. Outros, pela sua inferioridade, afastam-se por não conhecerem que ali está a sua libertação do mal, procurando outros companheiros para continuarem sua trajetória de orgulho, de inveja, de ódio, e de todo tipo de maledicência.

Observa-se que muitas pessoas quando chegam em um Centro Espírita, querem logo ser encaminhados para uma seção mediúnica, pensando em adentrar efetivamente nos trabalhos da espiritualidade, sem qualquer conhecimento sobre o que acontece do outro lado da vida e qual, é a sua participação neste processo todo. É com este pensamento que muitos irmãos caminham para os terreiros de umbanda, porque lá têm as exigências necessárias e suficientes para os primeiros contatos com o mundo espiritual, que não é o desvendar mistério sobre quem quer que seja. O trabalho com a espiritualidade é de entender o processo pelo qual toda humanidade espiritual ou material está envolvida, tentando ver a participação de cada um, porém continuar essa trajetória de evolução nas diversas encarnações vividas.

A celebração de um trabalho mediúnico é propriamente uma pregação, uma missa, um culto evangélico, ou uma palestra espírita, como acontece nas reuniões públicas que os Centros Espíritas promovem para mostrar os ensinamentos de transformação a todos que vão a sua procura, objetivando o seu bem-estar. Aí está sendo praticada uma reunião mediúnica, tendo em vista que os irmãos encarnados e desencarnados estão sendo doutrinados para o caminho de retidão, de felicidade, e de amor, que é o que todos procuram com muito esforço. Talvez o trabalho dos católicos, o culto dos protestantes, a reunião pública dos Centros Espíritas seja um trabalho de conscientização mais eficiente do que uma mesa mediúnica, onde os participantes estão apreensivos em sentir, ou ver uma presença espiritual que não é esta a proposta efetiva.

Tudo isto remonta o ser humano a pensar no trabalho efetivo de uma mesa mediúnica que é a prática de um contato direto entre os espíritos e os membros de um trabalho de concentrações e preces para ajudar a alguém quanto a sua situação no outro lado da vida, e as dificuldades dos que estão desse lado. Em verdade, a mesa mediúnica quase não constitui um trabalho sério de ajuda aos irmãos do outro lado da vida, mas de  alguma curiosidade daqueles que querem conhecer o mundo espiritual sem compromissos, e desejo de mudança. O extra-físico tem despertado em muita gente o anseio de saber algo de alguém que já se foi, tentando saber se o outro lado da vida é melhor do que este, ou até mesmo de como tirar na loto, ou na loteria esportiva, ou de alguma forma, de como arrumar um casamento.

Um trabalho em uma mesa mediúnica é apenas um momento onde se pode compreender bem melhor o relacionamento do mundo físico/corpóreo com o mundo extra-físico/espiritual, porque neste ambiente existe uma assepsia condigna neste relacionamento entre os espíritos e as almas que querem se comunicar. Uma atividade mediúnica pode ser exercida em qualquer lugar, mas para que haja um melhor entrosamento das vibrações, e que o mal não supere o bem, dada a assistência envolvida, faz-se necessária uma mesa mediúnica, em um Centro Espírita. Como é que funciona um Centro Espírita, quanto a um trabalho mediúnico? Quais são os passos que são seqüenciados quanto a um trabalho mediúnico? Como devem comportar os sensitivos na mesa, antes e depois do trabalho? A estas perguntas, vai-se tentar respondê-las a seguir.

Para compreender a questão do funcionamento de uma mesa mediúnica, inicia-se com um preparo de, no dia está harmonizado e bastante bem consigo próprio para que as energias cósmicas fluam bem, isto significa dizer, não comer carnes vermelhas, não tomar cachaças, não fazer sexo, e nem se irritar por futilidades. Não existe uma proibição formal para que tal fato ocorra, mas sabe-se que uma pessoa ausente de tais tipos de atitude está fadada a um menor entrosamento entre o mundo material e o mundo espiritual, devido às condições do corpo físico. Neste dia, evitar contendas com os amigos próximos, com os familiares, tentando passar um dia de meditação é o ideal para que a interferência dos espíritos grosseiros, brincalhões, e maldosos, não possam participar desse trabalho tão sério.

Chegada a hora marcada pelo dirigente do trabalho, de comum acordo com a espiritualidade, abre-se a reunião com um cântico religioso, que não é necessário que seja espírita, mas que traga fluidos salutares e benéficos para todos os participantes deste trabalho, tanto os encarnados como os desencarnados. O cântico deve adentrar aos corações em uma integração total dos encarnados com o mundo espiritual, doando-se plenamente para que o desejo e a vontade de cada um sejam na verdade, satisfeitos em sua plenitude. Neste momento, deve-se pairar na tela do pensamento de cada participante toda a criação de DEUS à humanidade, isto é, os rios, o céu, as florestas, as rosas, as flores, o ar, e tudo aquilo que Ele deixou para todos, indistintamente de classe social e de religião a que participe.

Depois dos cânticos, faz-se a prece de início do trabalho, sendo indicado aquele que o coordenador da atividade sinta que tem condições (por hipótese), de levantar uma boa vibração à todos que estão participando desta bela labuta, conduzindo a atividade tal qual orienta o mundo espiritual necessita. A prece inicial deve ser declamada com muito amor, muita dedicação, e muito fervor, para que os irmãos pequeninos que chegarem naquele instante sejam recebidos com os braços abertos, sempre voltados para o bem de todos que precisam ser socorridos. Com a prece inicial, busca-se uma unicidade entre os espíritos e as almas participantes, tendo em vista que, mesmo os espíritos que não conhecem nada, ou quase nada de sua própria realidade, necessário se faz esclarecê-los de tal fato em uma festa de grande amor e dedicação.

Depois da prece inicial, faz-se uma chamada dos diversos nomes que vão passar pela vibração, ficando os sensitivos atentos, porque a espiritualidade já está trabalhando cada nome, tentando entender os problemas que cercam as pessoas que estão sendo anunciadas, e alguns outros que a espiritualidade trouxe. Em seguida, o coordenador da mesa faz uma vibração, e aqueles casos mais urgentes a espiritualidade faz tal trabalho a parte; entretanto, se existirem alguns irmãos que precisam se comunicar, ele é trazido à mesa, com a ajuda de um sensitivo de incorporação, conecta-se o processo. Neste instante, ele diz o que quer, ou o que sente, cujo coordenador orienta para que ele possa compreender a sua situação, libertando-se daquelas dores e sofrimentos que está passando, pela sua incompreensão do mundo espiritual.

Este trabalho transcorre dentro da hora marcada pelo coordenador que foi orientado pela espiritualidade para iniciar e findar na hora certa, isto é, o trabalho deve ser de uma hora e meia, conforme o tempo dos espíritos designados para esta atividade, porque o mundo espiritual também divide o seu tempo para outros encontros. Quando existe algum empecilho na execução do trabalho, ou melhor, quando aparece distúrbio de energia, os entrelaces mediúnicos não se encontram, eleva-se um, ou diversos cânticos para que se possam harmonizar, ou unificar as vibrações, sanando as situações adversas que circulam. O ideal é que cada sensitivo só receba no máximo dois espíritos sofredores, ou trevosos, dado os desgastes que sofrem aqueles que têm a faculdade de incorporação, deixando tal agente com o seu corpo debilitado, vampirizado.

Trabalhando todos esses casos, o coordenador verifica o estado em que estão os sensitivos participantes para poder encerrar as atividades do dia, e se todos estão bem; assim, mais uma vez eleva-se um cântico, e, desta forma finaliza-se o trabalho. É designada uma pessoa para a prece final, que a professa com o mesmo fervor que foi feita a prece inicial. Deve-se deixar claro também que além dos médiuns de incorporação, devem ainda participar sensitivos de vidência para mostrar à coordenação como se encontra o espírito comunicante, quanto ao caso de mistificação, ou não, pois, são imprescindíveis tais observações. Finalmente, o coordenador determina o término da reunião, indicando que a atividade se encerrou para os médiuns, mas a espiritualidade continua por toda a noite, precisando da mesma vibração e harmonia que todos devem ter deixado no trabalho executado com tanto fervor.

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