A ECONOMIA DO SEMI-ÁRIDO
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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A ECONOMIA DO SEMI-ÁRIDO

 

O Nordeste brasileiro é uma região composta de terras úmidas, que produzem tudo que se plantar e até algumas delas precisando de alguma adubação, dependendo do que se vai plantar, para que a produção seja boa. Por outro lado existem terras semi-áridas, isto é, terras que precisam de água, de irrigação e de muitos instrumentos de trabalho para que se consiga a sua produção, isto significa dizer, tenha boa viabilidade. Para tanto, é preciso que haja um interesse governamental quanto à eliminação das dificuldades que os habitantes do semi-árido passam na sua sobrevivência, quanto aos tipos de cultura a trabalhar e a manutenção no seu processo de crescimento até a sua ida ao consumo final

            Sendo assim, não se sabe por que, mas as universidades brasileiras continuam a estudar os modelos bem comportados de países desenvolvidos e industrializados, como por exemplo, as experiências americanas, inglesas, francesas, alemãs e esquecem a realidade do país, especificamente, do Nordeste. O Nordeste é uma região pobre e nunca os modelos de países desenvolvidos e industrializados servirão para explicar os problemas desta região e propor política para o seu desenvolvimento. No Nordeste brasileiro predomina a pequena produção, tanto na agricultura, como nas zonas urbanas e, no mais das vezes, de maneira informal, tendo em vista os grandes encargos que levam aos poucos ganhos daquele produtor, que apenas sobrevive com a pequena produção.

O mais importante é voltar os estudos universitários aos problemas da região, fundamentalmente, do semi-árido nordestino. A região semi-árida do Nordeste significa mais ou menos 80% da área total da região, tem-se procurado os mais diversos meios de desenvolvê-la, mas, em vão, porque as políticas adotadas para aquela região têm sido apenas paliativos, que só fizeram engordar os bolsos dos grandes latifundiários nordestinos. O primeiro exemplo são os famosos açudes criados com o objetivo de armazenar águas e salvar as terras quentes do Nordeste, das grandes secas que maltratam o sertanejo e caririzeiro. Conta-se que grandes estudiosos estiveram na região tentando entender os seus problemas, mas nada fizeram.

Quando se fala em semi-árido, devem-se buscar exemplos de regiões idênticas, ou mais secas, que tiveram seus problemas resolvidos a contento e o Nordeste brasileiro continua do mesmo jeito, sem nenhuma perspectiva, para se sair deste estado de coisas. É o caso do Egito, de Israel e de alguns países da África que tiveram o problema da seca contornado, mas, no caso brasileiro, recursos e mais recursos, têm sido alocados aos pesquisadores e executores de política de desenvolvimento e, ao se dar uma volta, verifica-se que nada foi feito e não será feito. É nesta região que se encontram os métodos de trabalho mais artesanais possíveis, onde predomina o trabalho em família e/ou empresa com média entre 3 ou 4 empregados.

A produção na região semi-árida é estritamente de sobrevivência e em pequena escala, pois vasta área desta região é desertificada pelos efeitos das secas, que constantemente assolam toda esta área. Predominam grandes áreas improdutivas, em termos de agricultura, onde a pecuária é sua principal atividade. A intensificação do semi-árido faz com que, áreas e áreas de terras secas só produzam palmas. Somente nas áreas de vazante é que se produzem capim e outras culturas dos tipos tomate, banana, etc, mas o pouco que produz, não tem mercados satisfatórios e isto gera um preço baixo. Com os rios, tem-se uma pequena irrigação, que implementa uma produção, em escala maior, e aparece um outro problema, que é a falta de financiamento.

O capital financeiro não está disponível a todo agricultor do semi-árido, tendo em vista ser a maioria dos agricultores produtivos, pequenos produtores que trabalham em terras alugadas, ou de parceria. O crédito bancário exige uma certa garantia pelo capital alheio, mas o pequeno produtor não tem esse meio de assegurar tal crédito e, desta forma, perde o capital que o ajudará na sua produção. O semi-árido não é composto somente de pequenos produtores, existem também os grandes, entretanto, o crédito lhes é mais fácil. Com esta disponibilidade, esse agricultor adquire e aplica em outros negócios, que não é a atividade do meio rural. Desta forma, a grande extensão de terra só serve para conseguir financiamentos federais e aplicar em atividades particulares.

Quanto ao processo tecnológico, o semi-árido está muito atrelado ao sistema de trabalho: "meu avô, meu tio faziam assim e dava certo, por que é que comigo não dá certo?". As técnicas de trabalho são primitivas e resistentes ao progresso, quando vindo de cima, isto é, quando o governo quer implantar tal tecnologia, sem uma consulta prévia, a quem vai utilizá-la. A resistência à entrada de novas tecnologias no semi-árido decorre de experiências passadas, que não deram certo e deixaram os agricultores com medo. Um outro fator de resistência, ao recebimento de uma inovação tecnológica são os encargos sociais, que o governo federal impõe aos agricultores e isto os deixa com medo de perder suas poucas terras.

Ainda comentando a tecnologia do semi-árido, constata-se facilmente a utilização intensiva de mão-de-obra, tendo em vista o acesso a essa inovação e, em segundo lugar, como utilizar esse ganho tecnológico. Em sua maioria, o semi-árido é composto de uma economia de subsistência, com plantações isoladas, ou consorciadas. Isto significa, não existirem excedentes para exportações e, se alguém fizer, faz contra os princípios da própria economia. O que é um fato é que a economia semi-árida importa muitos produtos que a produção local não consegue fabricar. Algumas produções mais expressivas não se encontram no semi-árido, mas em regiões ricas e é nesta área que se dá um nível maior de exploração do trabalho humano.

Ao se comentar sobre a produção do semi-árido, não se devem esquecer os tipos de rendimentos que acontecem na região. Como se sabe, os ganhos econômicos dos agricultores/trabalhadores e patrões efetivam-se de maneira diversa, dependendo do poder de exploração que os mais fortes exercem sobre os mais fracos. Vale salientar que o agricultor/trabalhador nunca sai ganhando, devido à maior parte da produção ser enviada ao dono da terra e é isto que tem provocado a maior rivalidade entre o trabalhador da terra e aquele que se aproveita dela. Os tipos de rendimentos que acontecem na região são: a meia, a conga, a terça; o trabalhador produz na terra do patrão, mas, está obrigado a trabalhar alguns dias para o dono da terra, etc,.

Ao se definirem os rendimentos do trabalhador rural do semi-árido, inferem-se imediatamente, o estado de pobreza e a miséria em que vivem o caririzeiro e o sertanejo do Nordeste semi-árido. Além disto, soma-se o período de seca que acontece regularmente, com isto fica fácil uma conclusão catastrófica. É este nível de pobreza que expulsa o homem do campo, em busca de melhores dias na cidade, levado pelo que, na pior das hipóteses, é ganhar o salário mínimo, mas, ao chegar na cidade, não encontra nada de bom e se arrancha na periferia, formando as favelas, onde, a princípio, procura viver condignamente e, ao não mudar de situação, o caminho é a prostituição, o roubo, os saques a embriaguez, etc,.

Quanto à produtividade do trabalho, ela é muito fraca, devido a, como explicado anteriormente, ser um setor intensivo em mão-de-obra. É significante o número de empregado na economia semi-árida, pois, a produção tipo exportação é muito pequena, é óbvio, tem um número significante de empregados, entretanto, são poucas estas empresas agro-industriais na região. Sabe-se da atuação da EMBRAPA, da EMATER, da Universidade e de outros órgãos de difusão e inovação tecnológica, porém a maneira como estes órgãos fazem este trabalho, ao invés de melhorar, dificulta muito mais as mudanças tecnológicas nestas áreas. É muito fácil de sentir isto, pois ao conversar com um agricultor, claramente este mostra sua revolta.

O semi-árido é uma economia pobre, porque os políticos fazem-na ser desta forma. São pobres os agricultores/trabalhadores. Aqueles que não tem acesso ao crédito bancário. Aqueles que não tem nenhum Deputado, que os defenda da justiça, quando é beneficiado por altos volumes de investimentos governamentais e não os aplica. E são pobres aqueles que sabem que a seca não é a sua maior rival, mas o próprio latifúndio industrial, que vive de buscar subsídios para esta região e aplicar em regiões ricas do país. O semi-árido não é um desafio, é só os governos quererem e o lobisomem da seca será desmascarado de uma vez. O capitalismo faz as leis e são elas que fazem uns pobres e outros ricos, ao seu bel-prazer.

A economia do semi-árido, não está só na agricultura, pois nos períodos sazonais, esses agricultores têm que procurar uma outra atividade para a sua sobrevivência e isto é feito nos trabalhos com couro, pago aos trabalhadores pela sua produtividade. A pequena produção nas cidades, ou até mesmo no campo, participa da sobrevivência do sertanejo, ou caririzeiro que, fora da agricultura ou pecuária, procura uma outra maneira de ganhar a vida. Para o semi-árido falta apenas uma política séria para tornar viável a vida no campo, como produção e atividade pertinente à sobrevivência daquele que nasceu e sobrevive do que existe em sua localidade, pois somente com condições de vida ao agricultor do semi-árido, é que se fará uma região promissora.

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