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Keynesianas
Mario Gómez Olivares

 

 

A Teoria Geral de  J. M. Keynes revisitada

 

A taxa de juro é recalcitrante à baixa: A taxa monetária de juro é a “pace maker” de todas as taxas-bem de juro

 

Conjuntamente com a determinação da taxa de juro pela preferência pela liquidez e a quantidade de moeda, a fim de poder ver como uma mudança nas expectativas pode provocar uma mudança da taxa, seja pela mudança na preferência, seja pela mudança na quantidade de dinheiro, ou por ambas, e como essa mudança afecta a eficiência marginal do capital, o investimento e o emprego, iremos clarificar como Keynes explica a existência de uma taxa de juro recalcitrante relativamente a eficiência marginal do capital que torna a política monetária redundante e insuficiente para combatir exitosamente o desemprego.

Partimos da constatação de Keynes, de que a taxa de juro monetária tem um papel peculiar na fixação de um limite ao volume de emprego, pois esta funciona como a “pace maker”, marca o nível que deve atingir a eficiência marginal do capital de um bem de capital, de modo a que este seja produzido, assegurando o investimento que realiza o actual emprego.

Se a taxa de juro resulta do facto de esta existir numa economia monetária, é pertinente descubrir as peculiaridades do dinheiro que o distingue de outros bens, pois se a  taxa de juro da moeda é obstinada, ela aponta um caminho como respon­der ao problema do emprego:

 

“Until we have answered these questions, the full significance of our theory will not be clear”[1].

 

6.1.     as peculiaridades da moeda e o seu significado para a determinação do emprego

 

A taxa monetária é o excedente sobre uma determinada soma de dinhero emprestada, a um prazo dado. É um contrato sobre uma soma a um preço para entrega futura, sobre um preço efectivo inmediato. Para cada classe de bem de capital, deveria existir uma taxa análoga à de juro sobre o dinhero[2]. Existem razões, diz-nos Keynes, para pensar que a taxa monetária seja frequentemente a maior, porque no caso de outras taxas específicas existem forças que operam no senti­do da sua redução, forças essas que não actuam no caso do dinhero. Ainda mais, pode ser que para duas moedas distintas não exista uma taxa de juro igual[3].

Podemos dizer, também, que cada bem-padrão oferece a mesma facilidade que o dinhero para medir a eficiência marginal do capital, utilizando-o para medir o rendimento provável de qualquer bem de capital. Desde que as eficiências marginais de todos os bens se alterem na mesma proproção, deduz-se que a ordem da sua magnitude será igual, independendente do padrão que se escolha.

Se existisse uma mercadoria composta que pudesse ser tomada como representativa, poderiamos ter uma taxa de juro e eficiência marginal do capital, em termos dessa mercadoria-bem, como as únicas do capital e do juro.

Se a taxa de juro monetária não é singular senão em comparação com as outras, onde está a sua peculiaridade. Porque é que a eficiência marginal do capital é o volume de emprego estão relacionadas com a taxa de juro monetárias, e não com as outras taxas-bens[4].

Os diversos tipos de bens possuim certos atributos: 1) os rendimentos ou produção[5]q; 2) os bens sofrem desgaste, apodrecem, sofrendo custos no decor­rer do tempo[6] c; 3) cada bem têm um prémio de liquidez[7] l.

Deste modo o rendimento total esperado pela propriedade de um bem durante um período qualquer é igual a seu rendimento q menos o custo c acrescentado do seu prémio de liquidez. Isto é, q -c + l é a taxa de juro própria, onde q, c e l são medidos em termos de si próprios. Considerando que q, c e l variam para os diferentes bens. O rendimento do dinhero é nulo, o seu custo de armacenagem é irrelevante, mas o seu prémio de liquidez é sustancial. Existe por isso uma diferência essencial entre o dinhero e os outros bens, a que reside no facto do seu prémio de liquidez exceder em muito o seu custo de armazenagem, enquanto que nos outros bens é em geral ao contrário[8].  

Serão produzidos aqueles bens, cujo preço de oferta  seja menos que o de procura, pois serão esses bens os que têm uma eficiência marginal do capital maior ( na base do seu preço de oferta normal) que a taxa de juro, medidos no mesmo padrão de valor, qualquer que seja. Conforme aumenta a existência de bens cuja eficiência marginal do capital era inicial­mente  igual à taxa de juro, então essa eficiência marginal tende a descer. O processo atingirá o ponto em que os rendi­mentos esperados, descontados em anuidades começem a ser inferiores ao preço de oferta, a eficiência marginal do capital desce e não será vantagioso produzi-los, a menos que a taxa de juro desca pari passu. Se não existir nenhum bem cuja eficiência marginal do capital atinja à taxa de juro, não serão produzidos novos bens de capital.

Por hipótese existe um bem, por exemplo o dinhero, cuja taxa é fixa ou desce mais lentamente ao aumentar a produção de qualquer outro bem que outra taxa-bem de juro. Como se ajustam as posições[9]? Isto implica, pela sua vez, que o preço actual de todo bem distinto do preço do dinhero ( o juro monetário) tende a descer proporcionalmente ao preço que se espera terá no futuro. Portanto, se as taxas continuam descendo, chegará o momento em que não será lucrativo produzir nenhum desses bens[10], a menos que se produça um aumento do custo de produção no futuro( preço superior) sobre o preço presente e que recupere o custo de armazenagem de esse bem produzido no presente, desde o momento actual até a data provável em que seu preço seja maior[11].

Se essa taxa de juro aumentar, as taxas de juro específicas dos outros bens descem a níveis que faz pouco interessante a  produção desses bens de capital, a custos que permitam lucratividade. Se uma ou algumas dessas taxas permanecem a um nível superior ao da eficiência marginal desse bem-capital a produção não tem lugar.

Se o dinhero é padrão de valor, não necessariamente a taxa de juro monetária causa transtornos. Pode-se mudar o padrão para qualquer bem, que existirá a uma taxa específica que resista a descer quando a produção cresce, pelo que:

 “ it now appear that some difficulties will ensue if there con­tinues to exist any asset of which the own-rate of interest is reluctant to decline as output increase”[12].

Quais são então as peculiaridades que fazem o bem dinheiro como tendo a sua taxa específica ao nível mais alto. Seguin­do o critério que na medida em que o padrão de valor esta­belecido responda a essa peculiaridades, será válida a proposição de que a taxa de juro específica da moeda é a taxa mais importante

1)        a elasticidade de produção do dinhero e nulo, ou muito peque­na. Por elasticidade de produção entende-se a variação do volume de mão de obra aplicado na produção de dinhero, quando aumenta a quantidade de trabalho que se pode comprar com uma unidade da mesma. Isto é válido para a moeda inconvertível ou o ouro, excepto no pais em que a produção de ouro é a actividade principal. No caso dos outros bens a elasticidade de produção, faz com que a sua taxa decline como  consequência de um maior coefi­ciente de produção. No caso do dinhero a oferta é fixa, apenas mudando-a ou pela variação na unidade salários ou pelo aumento da oferta através da autoridade monetária. Se o preço de outros bens tende a baixar, pode-se diversificar desviando trabalho para a produção  de outro bens, o que sucederá apenas se a moeda fosse ouro. Se a taxa de juro monetária não desce, não é possível produzir mais dinhero, como cultivar ou produzir outros bens.

2)        Existem outros bens cuja produção é inelástica, por exemplo os factores de renta pura, pelo que é necessário agregar outra condição: o dinhero têm uma elasticidade de sustituição igual ou quase igual a 0. Na medida que o valor de troca do dinhero sobe, não existe tendência a sustitui-lo por outro factor, excepto quando a moeda é ouro e pode utilizar-se como mercadoria para outros fins. A utilidade do dinhero existe enquanto é valor de troca, de forma que sua utilidade sobe ou desce com o seu valor, pelo que ao contrário dos factores de renda, não existe motivo para sustitui-lo por outro factor[13].   

3)        a oferta fixa rígida pode alterar-se no caso particular, de uma reducção na unidade salário, pois libertará efectivo que se destinará a outros fundos para a satistação do motivo de liquidez, se os valores monetários baixam, a existência de dinhero seria uma proporção maior no total da riqueza da comunidade. Embora isso possa fazer descer a taxa de juro monetária, embora existam razões, diz Keynes, que consideradas em conjunto numa economia monetária, mostrem que é provável que a taxa monetária resista à baixa:

i)          se uma descida da unidade salário produz uma expectativa de que subirá novamente o resultado é favorável. Pelo contrário se a expectativa é que continuará a descer, a reacção negativa sobre a eficiência marginal contrabalança a baixa da taxa de juros;

ii)         o facto que os salários medidos em dinhero sejam propensos à rigidez, com o salário monetário mais estável do que o real, tende a a limitar a  propensão da unidade salário a descer em termos de dinhero[14]. Se os salários não fossem rígidos a baixa, as expectativas realtivamente a sua actual baixa actuariam negativamente relativamente a eficiência marginal do capital. Se os salários fosssem medidos em unidades-bem trigo, não seriam rígidos, variando com as variações no valor desse bem. As características do dinhero, especialmente a sua característica de ser liquidez, fazem o salário rígido, quando fixado em moeda.

iii)        as características do dinhero, que satisfazendo a preferência da liquidez, farão con que a taxa de juro seja insensível, sobretudo, considerando o estado convencional de longo prazo e o estado de incerteza sobre o futuro. Por outras palabras, para além de certo nível, o rendimento do dinhero não desce, quando a sua quantidade muda, como baixa o rendimento de outros tipos de bens, quando a sua quantidade aumenta.Deve ser considerado também o facto que uma mudança na quantidade de moeda pode levar os indivíduos a rever as expectativas, com o aumento da incerteza, mantendo e aumen­tando liquidez, sem que a taxa de juro desca:

 

 “the readiness of the public to increase their stock of money in response to a comparatively small stimulus is due to the advantages of liquidity(real or supposed)having not offset to contend with in the shape of carrying-cost mounting steeply with the lapse of time”[15].

 

Sendo os custos de armazenagem do dinhero relativamente pequenos, não afectam as previsões sobre o valor provável do dinhero no futuro. Isto é, um aumento nas existências de dinhero por parte do público, são vantajosas e aceites, sem contrabalançar os custos de armazenagem no transcurso do tempo, daí a preferência pela liquidez com pequenos estímulos do seu aumento quantitativo. No caso de um outro bem, quando se atinge um certo nível de existências superi­or, existe o risco de perdas por armazenagem e depreciação.

A importância da taxa de juro monetário, surge como uma combinação de factores, que através da actuação do motivo liquidez, fazem com que, primeiro, a taxa de juro seja insensível a uma mudança na proporção que a quantidade de dinhero mantém em relação com as outras formas de riqueza, medidas em dinhero, e segundo, que têm ou pode têr elastici­dades nulas de produção e sustituição.

A primerira condição significa que a procura se dirige predominantemente ao dinhero; a segunda, que não pode empre­gar-se mais trabalho em produzir dinhero e, que não existe qualquer outro factor capaz de têr a utilidade do dinhero.

O único alívio-para além de variações na eficiência marginal do capital pode vir, considerando a propensão à liquidez invariável, de uma variação da quantidade do dinhero, ou um aumento no valor do dinhero que permita à quantidade fixa aumentar os serviços monetários. Deste modo uma subida na taxa de juro retarda a obtenção de todos os objectos cuja produção é elastica, sem poder estim­ular a produção do dinhero.

A taxa monetária de juro é a “pace maker” de todas as taxas-bem de juro, refreando o investimento para produzir outros bens, sem estimular o necessário para produzir dinhero( que por hipótese não pode ser produzido). Para o caso de um bem,  a elasticidade de procura de existências dele, faria con que modificações na procura mudem a sua taxa de juro para acima ou para abaixo, ao mesmo tempo que a elasticidade oferta influenciaria também a fim de evitar um prémio das entregas presentes sobre as futuras.

Deixando os bens à libertade das forças de mercado, elas actuariam no sentido de disminuir a sua taxa de juro, até atingir “o pleno emprego”, correspondente à inelasticidade da oferta do dinhero. É a falta de dinhero que provocará o estancamento na queda das taxas de juro dos bens, pelo que:

 

“ our conclusion can be states in the most general form. No further increase in the rate of investment is possible when the greatest among the own-rates of own interest of all available assets is equal to the greatest amongst the marginal efficiencies of all assets, measured in term of the asset whose own-rate of interest is greatest.. In a conditions of full employment this condi­tion is necessary satisfied. But it may also be satisfied before full employment is reached, if there is exist some asset, having zero( or relatively small) elasticities of productions and substitution, whose rate of interest de­clines more slowly, as output increase, than the marginal efficiencies of capital-asset measured in term of it”[16].

 

Da propriedade tradi­cionalmente aceite, de que a inelasticidade da oferta do ouro permite a sua utilização como padrão monetário, está a dificul­tade de fundo. As características que determinam as particularidades do dinheiro e que fazem com que a sua taxa seja a mais importante, estão ligadas ao facto que a moeda ser o padrão de valor, e de com esse padrão fixarem-se as dívidas e os salários. Os contratos são fixos e os salários são estáveis em termos de dinhero, pelo que os indivíduos procurarão moeda pela conveniência de expressar no mesmo padrão os contratos venci­dos e os salários a pagar, o que faz com que o prémio de liquidez seja tão importante. É um problema de confiança sobre o futuro, pelo que o padrão de valor deverá ter uma elasticidade de producão que asegure a sua estabilidade. Deste modo aumenta a importância da taxa de juro monetária.

Existe um outro motivo mais subtil, diz Keynes, que eleva a importância do dinheiro e a sua taxa de juro:

 

“ The normal expectation that the value of output will be more stable in terms of money than in terms of any other commodi­ty, depend of course, not on wages arranged in term of money, but on wages being relatively sticky in term of money”[17].

 

A conclusão é que, o bem em termos do qual se expressam os salários de modo a que sejam os mais rígidos, tem que ser aquel cuja elasticidade de produção é mínima e que o excedente dos custos de armazenagem sobre o seu prémio de liquidez é minima, de outro modo:

 

“the expectation of a relative stickeness of wages in term of money is a corrol­lary of the excess of liquidity-premium over carring-cost being greater for money than any other asset”[18].

 

As peculariedades da moeda se combinam cumulativamente  com o facto da moeda ser o padrão de valor socialmente aceite, pelo que o facto da moeda ter elasticidades de producção e sustituição nulas e quase nulos custos de manuntenção e armazenagem fortalecem a creença de que os salários monetários são relativamente estáveis, o que aumenta o prémio de liquidez, de modo que a taxa de juro monetária não se confunde com as eficiências marginais dos outros bens[19].

Keynes aceita que os salários monetários são viscosos à baixa, mas que tal não se deve as imperfeções no mercado de trabalho, mas sim às propiedades e funções da moeda. Se tomarmos em conta o facto de que os salários expressos em moeda são mais estáveis que outras formas de riqueza, a sua estabilidade é uma contribuição intrínsica à própria estabi­lidade do sistema.

Como assevera Keynes, o desemprego prospera porque a gente quer comer a lua com a mão,  o objecto do desejo, o dinhero, não pode produzir-se e a sua procura pode sofocar-se com facilidade[20].

 

6.2.     O desemprego involuntário é característico da  economia de mercado: a mobilidade dos factores de produçaõ e a rigidez do salário nominal.

 

Os salários nominais são viscosos não tanto porque os sindicatos sejam intransigentes em aceitar a sua redução, mas pelo facto de que são pagos em moeda. É na moeda e suas propriedades que deve procurar-se a sua viscosidade.

A essas propriedades específicas da moeda estão associadas as funções de meio de troca e reserva de valor que fazem com que a taxa específica da moeda seja a mais  alta entre as diversas taxas específicas dos bens. Desse modo, a moeda serve de medida de valor para estipular os salários e o crédito, com o que o valor da produção ficará estável quando expresso em moeda, o mesmo acontecendo com os salários nominais. Se não se pudesse manipular a quantidade de moeda, o emprego só se poderia acrescentar ( bem como a produção) através de uma deflação ilimitada dos salários monetários, o que pode gerar expectativas perversas se esses continuassem a cair e a sua queda for antecipada pelos empresários produ­tores de bens. Para Keynes o mercado de trabalho apenas permite determinar a procura de trabalho. Sendo assim, o emprego é determinado pelas forças que determinam o nível da procura efectiva, fixando o salário real. Consequentemente, as flutuações no nível de emprego traduzem-se em flutuações no nível do salário real, pelo que se o salário real fosse mais rígido que o salário monetário, o sistema seria intrinsicamente inestável, mas como foi dito anteriormente, a rigidez dos salários monetários, não encontra a sua causalidade na obstinação institucional, mais ao facto que, tendo a medida do valor uma tendência a ser mais estável, todos os contratos expressos em moeda comportan-se no mesmo sentido

Mas se os salários fossem totalmente flexíveis, como pretendem impor as antevisões neo-clássicas, não apenas a propensão ao consumo declinaria, como o inves­timento desceria ou não se realizaria pelas expectativas de menores rendimentos resultantes de uma procura efectiva menor, nessa situação a política monetária poderia aumentar a quantidade moeda ou descer a taxa de juro, mas nessa situação, o desemprego involuntário poderia ainda existir, pois uma pequena descida da taxa de juro revelar-se-ia insuficiente, devido a elasti­cidade na procura da moeda, enquanto que uma descida dos  salários teria o efeito de criar expectativas perversas.

Estas implicações conjugam-se com o facto de Keynes não atribuir ao sistema uma capacidade de correcção automática, de modo que o emprego poderá ajustar-se actuando não apenas sobre a procura de moeda, assegurando que se passe de um nível de produção a outro, mudando a taxa de juro normal através da autoridade monetária, que assume um carácter discricionário e social procurando mudar as convenções sobre aquilo que os diferentes grupos sociais hegemónicos consid­eram normal, como por outros meios: a intervenção directa do estado sobre o investimento[21].

A persistência do desemprego involuntário não explicar-se-ia pelo facto dos salários monetários serem rígidos à  baixa . Como vimos anteriormente, Keynes concentra-se em primeiro lugar na explicitação dos factores que determinam a procura efectiva e portanto o nível do emprego, tendo discutido precedentemente as categorias, investimento, poupança, consumo, rendimento, e, depois de ter procedi­do a explicitar a escolha das unidades, assim traçando concisamente as conclusões da sua sua teoria do emprego, este escreve:

“ give, the psychology of the public, the level of output and employment depends on the amount of investment. I put it this way, not because this is the only factor on which aggregate output de­pends, but because it is usual in a complex system regard as the causa causans that factors which most prone to sudden and wide fluctuation”[22].

 

A propensão ao consumo é definida como uma das três preferências psicológicas do indivíduo relativamente ao tempo, que depende de factores objectivos e subjectivos, que pode ser definida principalmente como uma função do rendimento[23], sendo o seu valor entre zero e um, e bastante estável. A propensão ao consumo menor que um, que Keynes denomina de “lei psicológica fundamental”, significa que o consumo varia no mesmo sentido que o rendimento embora numa proporção menos que proporcional, com o que abre-se as luzes do palco para  a estrela investimento:

 

When employ­ment increases, the aggregate real income is increased. The psychology of the community is such that when aggregate real income is increased, but no by so much as income. Hence employers would make a loss if the whole of the increased employment were to be devoted to satisfying the increased demand for immediate consumption. Thus to justify any given amount of employment there must be an amount of current investment sufficient to absorb the excess of total output over what the community chooses to consume when employment is at given level. For unless there is this amount of in­vestment, the receipts of the entrepreneurs will be less than is require to induce them to offer the given amount of employment”[24].

 

A construcção de Keynes visou determinar a taxa de investi­mento, de quem depende em última instância o nível do rendi­mento, o output e o emprego, pelo que o incentivo ao inves­timento deverá considerar o preço de oferta para cada classe de bem de capital, junto com o rendimento esperado provável até que iguale a eficiência marginal de capital geral com a taxa de juro, i.e., as condições físicas da oferta nas indústrias de bens de capital, o estado de confiança relati­vamente ao rendimento probável, a actitude psicológica à liquidez e a quantidade de moeda determinam no seu conjun­to a nova taxa de investimento[25].

O incentivo a investir depende da eficiência marginal do capital, do estado da confiança e indirectamente da taxa de juro que vem tratada em capítulos posteriores. A eficiência  marginal do capital constitui outra das preferências psicológicas do indivíduo em relação ao tempo[26]. O nível do investimento depende da diferença entre a eficiência marginal do capital e a taxa de juro, prosseguindo até que a eficiência marginal do investimento caísse ao nível da taxa de juro, não podendo aumentar enquanto esse valor estiver abaixo do valor da taxa de juro, adicionando o estado da confiança dos investidores como um factor de muita importância.

Keynes aceita a definição da curva da procura no mercado de capitais habitualmente utilizada pela  teoria neo-clássica, talvez com a preocupação complementar de acentuar o seu carácter anticipado e instável, dado que seria muito mais através da eficiência marginal do capital do que da taxa de juro que a previsão do futuro influenciar­ia o presente, sendo ao mesmo tempo  de consequências deci­sivas para a análise  do ciclo económico. Esta previsão refere-se àquilo que Keynes denomina de estado da previsão a longo prazo, associada  portanto a um fenómeno de incerteza gerador de instabilidade. O incentivo a investir depende por outro lado da taxa de juro que Keynes trata no libro IV a seguir ao capítulo sobre as expectativas de longo prazo,  para ajustar as variações do nível da taxa de juro às influências dessas.

Uma variação do emprego pode afectar a curva de preferência pela liquidez e provocar uma variação na procura de moeda de tres modos: o valor da produção aumenta quando sobe o emprego mesmo quando a unidade salarial e os preços em unidades salários se mantenham invariáveis; a unidade salarial tenderá a subir conforme o emprego cresce e; o incremento na produção irá acompanhado de uma subida dos preços devido ao aumento dos custos no curto prazo. Por isso Keynes sublinha: “Thus the position of equilibrium will be influenced by these repercussions; and there are other repercussions also. Moreover, there is not one of the above factors which is not liable to change without much warning, and some time sub­stantially. Hence the extreme complexity of actual course of events. Nevertheless, these seem to be the factors which it is useful and convenient to isolate. If we examine any actual problem along this line of the above schematism, we shall find it more manageable”[27].

A este nível da análise, depois de várias tentativas de definição de curto prazo, de longo prazo, psicológica, convencional, a taxa de juro não é referida senão como “um marca passo” à eficiência  marginal  do  capital, o que  sem dúvida indicia que a eventual aceitação da curva da procura não significa enquanto tal a aceitação  do mercado de capitais neo-clássico com a consequente determinação do nível da taxa de juro. Asseverando assim que a sua novidade inicial encontra-se na proposição de que é o nível do rendimento e não a taxa de juro é que ajusta a poupança ao investimento. Mas a definição dessa taxa de juro de longo prazo é a evidência de que o sistema é no longo prazo inestável, que as forças que reequilibram o sistema podem ser num determinado momento( no momento do análise, e não no período do análise) inadequadas, insuficientes e contraditórias para a plena utilização dos recursos.

É sobre o significado e a determinação da taxa de juro que, segundo o próprio Keynes, se centram as sua divergências decisivas relativamente a teoria que ele denomina de ortodoxa e com origem em Ricardo. A crítica de Keynes  segue a este propósito duas vertentes. A função poupança definida exclusivamente em relação a taxa de juro é considerada inaceitável e portanto rejeitada, pelo menos no curto prazo, o que evidentemente significa admitir a função reserva de valor da moeda subestimada segundo Keynes pela teoria neo-clássica[28]. A segunda objecção que Keynes considerava mais fundamental, refere-se a indeterminação da taxa de juro, mesmo no caso de admitir como válidas as funções de investi­mento e poupança de tradição neoclássica. Esta objecção com a qual Keynes esperava demonstrar que a teoria ortodoxa da taxa de juro estava errada constitui o essencial da argumentação do capítulo 14 da T.G.[29]. Esta exposição é compatível com a afirmação de que a novidade inicial está no facto de que é o nível do rendimen­to e não a taxa de juro  que iguala a poupança ao investi­mento, sendo a taxa de juro determinada de outro modo.

A taxa de juro de Keynes é determinada no mercado monetário pela intersecção da oferta de moeda dada pelas autoridades monetárias e a curva de preferência pela liquidez que constitui a terceira preferência psicológica  dos indivíduos relativamente ao tempo. Esta teoria não é todavia isenta de dificuldades, nomeadamente quanto as duas determinações da função de preferência pela liquidez passíveis de serem encontradas na Teoria Geral nos capítulo 13 e 15 indo a preferência de Keynes para a função total de preferência pela liquidez tal como é tratada no cap.13.

Conjuntamente com a determinação da taxa de juro pela preferência pela liquidez e a quantidade de moeda, a fim de poder ver como uma mudança nas expectativas pode provocar uma mudança da taxa, seja pela mudança na preferência, seja pela mudança na quantidade de dinheiro, ou por ambas, e como essa mudança afecta a eficiência marginal do capital, o investimento e o emprego, Keynes explica a existência de uma taxa de juro recalcitrante relativamente à eficiência marginal do capital que torna a política monetária insuficiente para combatir o desemprego. Para Keynes, a determinação da taxa de juro resulta juntamente com a introdução da moeda no sistema económico, completando-se assim os ingredientes necessários no seu modelo de análise:

 

“More comprehensively, aggregate output depends on the propensity to hoard, on the policy of the monetary authority as it affects the quantity of money, on the state of confidence concerning the prospective yield of capital assets, on the pro­pensity to spend and of the social factors which influence the level of the money rate” [30].

 

Manipulações da oferta de moeda poderiam em princípio condu­zir a baixa da taxa de juro. Keynes não aceita esta  eventualidade sem óbice A razão é dupla: a forma da função de preferência pela liquidez pode fazer cair a política monetária na armadilha da  liquidez  e a instabili­dade que caracteriza esta mesma  função pode levar ao seu deslocamento devido a revisão das antecipações, criando  assim  um  efeito perverso capaz de tornar ineficaz a política monetária para levar a cabo a desejada baixa da taxa de juro. O problema parece provir neste caso da existência de uma taxa de juro de longo prazo convencional e bastante estável  que  exigiria  à política monetária não apenas manipulações na quantidade de moeda mas também uma mudança da base da convenção o que depende fortemente da previsão  dos agentes  relativamente  a  possibilidade de a nova taxa poder persistir no futuro e tal expectativa de­pende fortemente da credibilidade que os agentes tenham na política executada pelo  governo, e a sua capacidade de manterla[31].

E ainda  de realçar a propósito da taxa de juro e da própria concepção de moeda o esforço extraordinário de Keynes no capítulo17 da Teoria Geral por explicar o carácter monetário da taxa de juro[32]. Nesse capítulo não está apenas em causa a crítica da teoria ortodoxa da moeda que se consubstância na afirmação de que esta teoria desdenhou a função reserva de valor da moeda, mas sobretudo a tentativa de fundamentar do ponto de vista mais abstrato uma teoria monetária do juro encarada como a taxa de juro específica da moeda. Assim, são propriedades essenciais da moeda (elasticidade de produção e de substituição nulas ou quase e o prémio de liquidez eleva­do ) que impõem a sua taxa de juro uma especificidade funda­mental: a de ser mais rígida à baixa do que a taxa de juro de qualquer outra riqueza.

Deste modo, esta taxa  “sets the pace” a todas as outras impedindo simultaneamente a sua produção mesmo antes de alcançarem o ponto de elasticidade de produção e sustituição nula. O equilíbrio abaixo do pleno emprego e o desemprego involuntário encontrariam assim explicação na moeda e nas suas propriedades essenciais, e por consequência na economia monetária, a sua razão fundamental. Estes fenómenos poderiam assim ser interpretados como intrínsecos a uma economia monetária de produção, tal como Keynes apon­tou nos escritos da época de preparação da TG.

O problema central da política de estabilização parece associar-se em Keynes à dificuldade em realizar o pleno emprego num ambiente económico onde uma eficiência marginal do capital demasiado baixa e instável se conjuga com uma taxa de juro demasiado alta, convencional e bastante estável como são todos os fenómenos de psicologia colectiva de base convencional. Nestas condições manipulações da massa monetária podem revelar-se e revelar-se-ão frequentemente ineficazes exigindo outras medidas de política económica, pronunciando-se Keynes pela necessidade da intervenção do estado[33]

Convém insistir, concluindo a nossa análise em duas ideias. Primeiro, se por um lado Keynes procurou demon­strar a existência do desemprego como involuntário, também não negou a existência do voluntário, como ficou dito ante­riormente, permitindo assim ampliar o campo dos tipos de desemprego em análise.

Aliás, como ele próprio escreve explicitamente, para além do desemprego friccional, onde se registam todos os casos de desemprego que surgem por  intermitências da procura devido a maus cálculos, ou por dificuldades da mobilidade da mão-de-obra, ou por desequilíbrios surgidos nos recursos especializados, portanto um conjunto de recursos não-em­pregues, admite também o desemprego voluntário, que surge pela obstinação de não aceitar a remuneração em concordância com a produtividade marginal atribuida, negação que pode ser livre ou imposta pela legislação, pela negociação colectiva dos contratos ou pela simples obstinação humana. Tal seria o desemprego normal, que provoca atrasos nos ajustamentos seja sectoriais, seja regionais seja inter ou intra professional, próprio da dinámica capitalista, em quanto ela, como sistema, está em expansão.

Segundo, Keynes considera o desemprego involuntário não como o resultado de um mau funcionamento dos mercados, bem pelo contrário, como o resultado do funcionamento normal dos mercados numa economia monetária. A hipotése do desemprego involuntário não resulta de um quadro de concorrência imper­feita, mas sim permanece rigorosamente no quadro da concorrência pura e perfeita, o melhor ainda de uma economia essencialmente diferente do ponto de vista qualitativo, onde uma das características essenciais é que ela produz desem­prego involuntário. Esta é uma premissa de análise realista e objectiva do funcionamento do sistema capitalista.


 

 


 

[1] Idem, p. 222.

[2] Utilizando o exemplo do autor, pode-se esclarecer o argue­mento do modo seguinte: se contratarmos por exemplo para o trigo um equivalente a 100 arrobas de trigo de entega inme­diata 105 arrobas de trigo para serem entregues a um ano prazo, podemos dizer que a taxa-trigo de juro é de 5 % ao ano. Assim para cada bem de capital teremos uma taxa-bem de juro, medido em termos de si próprio.

A diferência entre contratos futuros e à vista, cotizados no mercado, sobre um bem, por exemplo o trigo, mantém uma relação definida com a taxa de juro-trigo. Mas se o contrato futuro cotiza-se em dinhero para entrega futura e não para entrega inmediata, isto têm a ver também com a taxa monetária.

É preciso ver que as diferentes taxas não são iguais entre si, cada taxa-bem é específica desse bem. Por outro lado, não necessariamente a taxa bem e a taxa monetária coincidem. No exemplo de Keynes 100 arrobas ao preço de 100 libras, com um contrato a um ano prazo, pode implicar que custando 107 libras as mesmas 100 arrobas, medidas em taxa monetária de 5 % implicará 105 libras de trigo. Mas as 105 libras de trigo ao preço de 107 libras da-nos 98 arrobas de trigo. Isto é, 100 arrobas de trigo, representam em preços futuros 98 arrobas, segundo a cotização de mercado. A taxa-trigo de juro é de - 2 % anual.

Isto leva-nos, diz o Keynes, a levantar o problema que existe uma taxa de juro, que sendo a maior das taxas específicas seja aquela que marque o passo das outras taxas de juros. Sem esquecer que é a maior das taxas de juro àqual a eficiência marginal do capital  deverá alcançar para produzir um bem durável.

[3]A taxa de desconto que iguala o valor presente da série de anuidades de trigo ao preço actual de oferta desse bem, em termos do bem-padrão escolhido, nos dará a EM do capital-trigo em termos desse bem-padrão.

Consideremos a % anual da variação no valor do trigo em termos de dinhero; a eficiência marginal de um bem, que é x % em dinhero, será x-a % em termos de trigo.

[4] O que diferência uma economia monetária e empresarial e uma economia de troca ou de moeda neutral. Se nos propormos saber qual é a taxa-bem de juro para um período dado, considerados vários bens. Tomando cada um de cada vez como padrão, então os rendimentos de cada um devem ser considerados como medidos en termos de si próprios.

[5] Chamados aqui, utilizando a notação de Keynes q, medidos em termos de si próprios, tem por base a sua contribuição a algum processo produtivo ou por serviços a um consumidor.

[6] Esses custos chamados, c, custos medidos em termos de si próprios, carring cost.

[7] que corresponde ao que pagaria para valores iguais iniciais e valores diferentes ao fim do período de produção; chama-se a quantidade a pagar pela segurança potencial de possuir esse bem l.

[8] Tomen-se três bens,  casa, trigo e dinhero. Para o trigo, os rendimentos e o prémio de liquidez são igual a 0, temos então que a taxa de juro é igual a -c2; para a casa l e c são iguais a 0 pelo que a taxa de juro é q1 e para a moeda,   sendo c e q igual a cero, a taxa de juro é igual a l3.

Para determinar os rendimentos esperados dos tres bens, compatíveis com o equilíbrio, devemos conhecer as mudanças nos valores relativos durante o periodo. Considerando o dinhero como moeda de conta, a percentagem de valorização ( ou desvalorização) esperado para as casas a1 e do trigo a2, teremos:

a1+q1

a2-c2

l3 as quantidades reduzidas a dinhero como padrão de valor.

A procura dos possuidores de riqueza vai-se orientar à casa, ao trigo ou ao dinhero, segundo o critério de qual deles terá a maior taxa de juro. Em equilíbrio a procura de casa, trigo em termos de dinhero será tal que a1+q1, a2+q2 e l3 sejam iguais. A escolha do padrão não influenciará o resul­tado, pois uma mudança do padrão modificará todos os termos por igual.

[9] Se a1+q1, a2-c2 e l3 são iguais, sendo por hipótese l3 fixa o viscosa relativamente a q1 o -c2, isto implica que a1 e a2 aumentam

[10] de q1 e c2

[11] Em sentido estricto, qualquer taxa de juro de um bem pode descer lentamente e não particularmente a do dinhero, entendido que a teoria deve ser geral. Isto é, a medida que a produção a custos conhecidos e deter­minados no presente aumenta, a taxa de juro que baixa mais lentamente é aquela que faz de pace-maker, eliminando  produção de bens de outros bens, excepto quando os custos de produção futuros prováveis aumentem em relação aos custos presentes.

[12] Idem, p. 229. Nesse sentido ao atribuir um significado particular à taxa monetária de juro, a partida, faz-se enquanto habituamo-nos às características especiais, que fazem que a taxa de juro monetária, medida em unidades de si próprias, seja aquela mais resistente à baixa, que as outras taxas, medidas no padrão monetária, quando a produção aumenta.

[13] Um único reparo é precisso fazer relativamente a 1) e 2), é quando uma mudança no valor do dinhero ocasiona incerteza relativamente as resistências a subida; no caso em que a1 e a2 se elevem, equivale a dizer que um aumento no juro monetário em termos de taxas-bem, estimula a produção de outros bens.

[14] Isto não implica aceitar que os salários sejam rígidos, mas constatar que numa economia monetária os salários expressos em moeda são sujeitos a revisões que considerem o rendimento e a propensão ao consumo.

[15] Idem, p. 233.

[16] Idem. p. 236.

[17] Idem, p.  237.

[18] Idem, p. 238.

[19] É importante observar que para Keynes o prémio de liquidez não é um conceito absoluto, mas apenas destinado a jerarquizar e calcular, junto com os custos de uso e de armazenagem, as conveniências de manter uma ou oura forma de riqueza, dependendo em definitiva das práticas sociais e das instituições. Nesse sentido é o precursor de uma teoria portfolio da riqueza.

[20] Com ironia, Keynes sugere o remédio de por o banco central (a fábrica de queijo) na tutela da autoridade guvernamental a produzir queijo verde, como se fosse a mesma coisa que ouro, actuando pura e simplesmente atráves da persuasão do público.

[21] Esta conclusão de Keynes provocou uma forte polémica no seio dos economistas, não só pelo controverso da sua teoria, mas talvez e sobretudo porque justifica a necessidade de intervenção política, que no dizer de Joan Robinson é motivo que suscita fortes sentimentos e violentos conflitos de intereses. Ver J. Robinson J., Introdução à Teoria Geral do Emprego, Editôra Fundo de Cultura, Rio de Janeiro, 1960, p. 163.

[22] J.M. Keynes , " The Theory of the Rate of Interest", CWJMK , vol.XIV, p. 121. Por estado de confiança Keynes entende as expectativas de longo prazo dos empresários.

[23] Colocou ênfase na palavra principalmente, porque ao passar do sistema teórico ao modelo, o consumo entende-se como uma função exclusiva do rendimento, o que constituí uma qualificação reduto­ra, da qual o próprio Keynes não está isento de culpas, dando lugar a várias interpretações e teorias alternativas a função consumo de Keynes, relativamente a forma e estabilidade.

[24] Idem, p. 27.

[25] Se considerarmos que as variações na propensão ao consumo são no mesmo sentido que as variações no rendimento, e que estas variações correspon­dem às variações na taxa de investimento, a proporção da variação, medida em unidades salários, está determinada pelo multiplicador do investimento. Supondo que o multiplicador de investimento é aproximadamente o mesmo que o multiplica­dor do emprego e aplicando à taxa de investimento o multi­plicador pode-se inferir o crescimento ou diminuição do emprego. No resumo da Teoria Geral do capítulo 18, Keynes não faz nenhuma referência a uma propensão marginal ao consumo menor que um, que obriga a que o gap entre o rendimento e o consumo deva ser preenchido pela subida do investimento como elemento essencial da sua teoria, todo o acento está no investimento e a suas determinantes. Alias, segundo Keynes, as leis psicológicas são generalizações da experiência e não necessidades lógicas. Por hipótese, uma propensão marginal ao consumo igual o maior que um, numa situação de depressão, implicaria que qualquer recuperação teria efeitos inflacionários.

[26] Keynes recupera o análise de Fisher a propósito da taxa de rendimento sobre o custo, embora critique a noção atemporal que esta categoria assume.

[27] Idem, p. 249.

[28] Como sabemos a introdução por Patinkin do argumento M/P nas funções neoclássicas visa ultrapassar esta objecção de Keynes.

[29] Ela pode todavia ser ultrapassada pela passagem, do equilíbrio parcial, onde esta crítica se situa, ao equilíbrio geral, tentativa realizada por Hicks no seu famoso " Keynes and de Classic" introduzindo por exemplo o rendimento e a taxa de juro como argumentos das funçõesO próprio Keynes contribuí para esta interpretação tomando emprestado o diagrama de Harrod. No intercâmbio epistolar de Agosto e Setembro de 1935, Harrod chegou a convencer Keynes de que a teoria dos fundos prestáveis ´held´ com qualquer nível dado de rendimento. Segundo Keynes, se o nível de rendimento é variável, a posição da curva de poupança também varia. O argumen­to de Harrod fez rescrever o capítulo 14, incluindo o diagrama, que da lugar a uma curva do tipo IS, i.e., I=S, em que se monstra as várias famílias de curvas de poupança intersectando as famílias de curvas de investimento pata vários níveis de rendimento.

[30] J.M. Keynes , " The Theory of the Rate of Interest", CWJMK , vol.XIV, p. 121. Por estado de confiança Keynes entende as expectativas de longo prazo dos empresários.

[31] Resulta curio­so que certas interpretações, tal vez pela extensão que o próprio Keynes consagra, destaquem a influência da conduta especulativa do investidor individual, embora  o autor também aprecia-se as modificações que sobre a formação das expectativas se derivam das modificações do estado da confiança resultantes das instituições de crédito, porquanto são estas as que tem um maior controlo sobre a quantidade de dinheiro e a taxa de juro, financiando ou não a procura de moeda para especulação. Uma forte variação no preço dos títulos de curto prazo reage sobre a eficiência marginal do capital seja pela perda confiança especulativa, aquilo que Keynes designa no `Treatise on Money` por senti­mento ´bear` ou por um debilitamento das condições do crédito.

[32] Que de resto não têm merecido  dos economistas senão um interesse reduzido ou pelo menos discreto

[33] Keynes escreveu na Teoria Geral a este propósito.." I expect to see the Sate, which is in a position to calculate the marginal efficiency of capital-goods on long views and on the basis of the general sociale advantage, taking an ever greater responsability or directly organising investment..", op. cit. , p. 164.