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Armando de Castro (1918-1999)
Licenciado em Ciências Jurídicas (1941) e em Ciências Polítio-Económicas (1942)
pela Universidade de Coimbra, foi posteriormente bolseiro do Instituto de Alta
Cultura.
Jubilou
em 1988. Em 1965, à sua obra foi atribuído o Grande Prémio Nacional de Ensaio,
pela Sociedade Portuguesa de Escritores.
Economista, historiador e sociólogo, viu-se, por razões políticas, impedido de
prosseguir a carreira académica, pelo que teve de exercer a advocacia até à
queda do regime ditatorial salazarista. Nunca pensou em emigrar por entender que
o seu lugar era no seu País. Os seus estudos sociais, históricos e económicos
visavam fundamentalmente a compreensão da realidade portuguesa. Porém, durante
muitos anos, nem sequer lhe era permitido o acesso às bibliotecas das
Faculdades.
Dedicou-se fundamentalmente à Economia Política, História Económica, História do
Pensamento Económico, bem como à Epistemologia e Gnosiologia. Em Economia
Política, trabalhou alguns dos temas mais árduos dos seus fundamentos teóricos,
no tratamento sistemático da teoria do valor e da inflação. Ao estudar os
fundamentos da Economia Política interroga-se sobre os rumos da investigação a
fazer, avançando teses originais, desbravando matérias nunca antes estudadas,
ensaiando novos modelos e metodologias de estudo. Os seus trabalhos são um
exemplo de criatividade, de audácia e de rigor.
A sua principal obra “A Evolução Económica de Portugal dos Séculos XII a XV”,
além de relevante pelo pormenor com que nos dá a conhecer a economia medieval
portuguesa, integra um completo “Tratado de Ciência Económica” onde se definem
com rigor as principais categorias, se formulam leis económicas gerais e
específicas, se desenvolve em profundidade a teoria do valor. São
particularmente desenvolvidos capítulos sobre a renda, os meios de produção, as
classes sociais, as relações económicas e sociais. Toda a exposição teórica é
comprovada na prática com a descrição pormenorizada dos factos históricos.