Google


En la web
En eumed.net


Este texto forma parte del libro
Memorias de Economia
de Luis Gonzaga da Sousa
Para obtener el texto completo 
para imprimirlo, pulse aquí


 








 

EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

 

 

 

Quando se estuda a questão da população, de maneira global, ou até mesmo setorizada, deve-se levar em consideração os pormenores que se apresentam neste problema de fundamental importância para a economia e os movimentos sociais de todos os tempos. Sabe-se que a população deve seguir uma trilha, cuja evolução deve caminhar pari passu com toda a estrutura econômica vigente, sem causar prejuízos presentes e nem dificuldades futuras aos seus envolvidos. Assim sendo, é salutar que se trabalhem os efeitos do crescimento populacional frente à evolução econômica de qualquer país; pois, para este caso específico, está-se estudando a problemática brasileira, dentro de uma perspectiva de causa e efeito à estrutura e política em que está montada no País.

Com isto, tem-se que dentre todos os países que experimentaram um elevado crescimento da população, o Brasil é um dos que mais se destacam em termos de índice, conforme se pode ver nos trabalhos que falam sobre o assunto. Todas as Unidades da Federação tiveram um aumento de população, em alguns casos chegando a duplicar como aconteceu com Rondônia, no período 1960-70, que passou de 70 mil em 1960 para 116 mil habitantes em 1970 e do Amapá que de 68 mil em 1960 atingiu também em 1970 a 6 mil habitantes. Outras unidades da Federação tiveram um bom incremento populacional como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e outras, com porcentagens menores. As causas do crescimento acelerado são atribuídas a uma condição até certo ponto artificial das coisas, tais como, a migração e a alta fertilidade humana, não se justificando tal crescimento, de certa forma, desordenado, e sem nenhuma orientação das autoridades governamentais.

Como se pode constatar, a região Sudeste participa com a maior porcentagem do total da população brasileira, quer dizer, com um total de 42.6%, seguindo-se o Nordeste com 30.3%. Porém, pode-se notar que no período analisado, estas porcentagens têm decrescido, como por exemplo: em 1960 a participação do Sudeste no total era de 43.7%, mas, em 1970 ficou com 42.6%, o mesmo acontecendo com o Nordeste que em 1960 era de 31.5% e passou para 30.3% em 1970. Isto se deu devido, talvez às migrações para zonas mais produtivas ou mesmo com maior possibilidade de subsistência das pessoas menos favorecidas de outras regiões brasileiras.

O crescimento populacional brasileiro tem alcançado essas altas taxas - 2.7% em 1970 - devido aos programas de saúde, melhoramentos na condição de vida do povo (pelo menos quanto à habitação), melhores condições sanitárias, nutrição, educação e muitos outros meios que têm contribuído para diminuir a taxa de mortalidade infantil e prolongada a expectativa de vida dos adultos. Para BELTRÃO (1967) [1], o incremento populacional é fruto desses programas que também tem contribuído para manter a taxa de natalidade constante. Isto tem conseguido uma paralisação no nível de mortalidade brasileira, tanto no que respeita à infantil, como de pessoas que estejam na velhice e a economia do país não tem garantido a sobrevivência deste povo.

Tal situação de crescimento da população do povo brasileiro não está em consonância com a evolução da economia como um todo, pois o setor econômico não tem podido criar suficientes oportunidades de emprego para contemplar a todos que entram na força de trabalho economicamente ativa (PEA). Como se ver pelo excedente populacional existem óbvios sintomas de subemprego e desemprego nas cidades e nos campos. Considerando este estado de coisas, tem-se procurado criar de qualquer forma, mercados de trabalho nos diversos níveis, para suprirem a grande oferta de trabalho existente.

Os modelos de crescimento, tais como os que concernem a HARROD e DOMAR, explicam como cresce o estoque de capital, o bastante para romper o círculo vicioso do capital e desencadear um processo de desenvolvimento regular e contínuo. A fórmula a reter-se, exprime-se pela relação ; sendo G a taxa de crescimento da renda nacional; S o coeficiente de poupança e  o coeficiente marginal do capital. Ora uma apreciação exata do círculo vicioso do capital e de sua resistência precisa levar em conta a renda per capita nacional, introduzindo na relação, a taxa de incremento populacional do país.

Para dar um exemplo: verifica-se que, com um coeficiente 4 e uma taxa de poupança de 6%, um acréscimo anual da população de 1% não permitiria nenhum aumento da renda per capita. Significaria a manutenção do estado de estagnação e provavelmente de pobreza. Por conseguinte, admitindo uma taxa de incremento anual de sua população de 2.5% e o coeficiente de capital entre 2 e 4, necessitar-se-ia de uma taxa de investimento líquida de 5 a 10% para manter o mesmo nível de renda per capita. Caso se tente obter, simultaneamente, um acréscimo modesto de renda per capita de 2 a 3% no intuito de passar de uma economia estacionária para uma progressiva, escapando destarte do círculo vicioso persistente da pobreza, as proporções de renda nacional a serem poupadas, representam de 13.5 a 16.5% para um coeficiente de 3 e 18 a 22% para um coeficiente de 4.

Semelhantes taxas são geralmente impossíveis de se conseguir, de vez que superam, as disponibilidades financeiras de tais países, ditos subdesenvolvidos. Nestes casos, a formação líquida de capital como porcentagem da renda nacional, situa-se entre 5 a 10% da mesma. Com uma taxa de incremento populacional acima se expressa agora assim: ; onde p é a taxa de incremento populacional. Para o caso brasileiro, essa população se encontra na faixa de 15 a 60 anos e em termos percentuais corresponde a 32.3% da população total de 1960 e 35.7% da de 1970, demonstrando assim, uma população bastante jovem, principalmente se comparada com a população de outros países.

Sobre as várias taxas de crescimento interno do país, em termos de crescimento regional, mostra-se que a região Centro-Oeste tem a maior taxa de crescimento no período 1960-70 com 6.91%. Em segundo plano, tem-se a região Sul com 5.45%, a região Sudeste com 3.6%, onde está localizado o Estado mais populoso do país, São Paulo, que representa a mesma taxa de crescimento de 3.6%, depois, vem o Norte com 3.85% e o Nordeste com 2.36% de crescimento ao ano. Não se deve esquecer a participação das migrações nos processos de crescimento regional e até mesmo estadual, bem como municipal; pois, sabe-se que esta variável é de suma importância na evolução populacional de cada Estado. Para se ter uma idéia deste fato, registra-se no censo de 1960 a hipótese levantada pelo Pe. BELTRÃO, de que as migrações e a fertilidade não têm bastante peso sobre o crescimento populacional brasileiro.

Ao se relacionar desenvolvimento com população quer-se enfatizar a grande importância que tem o crescimento populacional com o desenvolvimento econômico, isto porque ao se verificar um aumento populacional, é necessário haver também um aumento substancial na estrutura produtiva de toda a economia para que não se permaneça na estagnação e, portanto, na pobreza. A literatura econômica mostra que a maior parte dos países que alcançaram um certo grau de desenvolvimento, tinha uma taxa de crescimento populacional em torno de 1%, levando a crer que crescimento populacional e desenvolvimento econômico estão altamente correlacionados.

Para um país alcançar o desenvolvimento, terá de efetuar uma série de transformações de estrutura e de sistemas e usar o planejamento integrado para tentar introduzir efeitos propulsores na estrutura de mercado, capazes de tirá-lo da inércia até então vigente. É claro que tais mudanças são compatíveis com a filosofia política do país e com a definição de objetivos a serem alcançados para a consecução de seu desenvolvimento. Acompanhando o raciocínio da racionalidade econômica, coerente com o modelo político atual, o Brasil deve ter optado por um modelo excludente (intensivo de capital, com arrocho salarial), autoritário (tecnodemocracia com a mínima participação do povo) e exportador (uma parcela bastante pequena da população, em torno de 30%, que participa do mercado consumidor interno).

Não resta dúvida de que o PIB do Brasil vem se mantendo com uma taxa de crescimento compatível com as estruturas criadas para tal e que o crescimento da população esteve pari passu com o aumento da produtividade e da renda per capital; porém, conforme LANGONI (1978), somente o decil mais alto da população se beneficiou com esse crescimento. Enfatizou-se aqui o crescimento populacional como um fator importante para o desenvolvimento, visto que se a população crescer mais do que a taxa esperada haverá um processo de anulação parcial do crescimento do produto. No caso brasileiro, acha-se que o mais grave é a transferência desordenada de contingentes populacionais para centros já saturados, em consequência de maior importância dada ao setor industrial, concentrado no Centro-Sul, em detrimento da agropecuária e das outras regiões do país.

Concluindo esta discussão, verifica-se que, nesta trajetória estudada o crescimento econômico brasileiro, algumas vezes tem acompanhado a evolução populacional, mesmo levando em consideração que o desemprego tem se expandido em alguns momentos. Isto decorre, não unicamente da parte residual entre população e produção nacional; mas, do processo de concentração que sempre acompanha a economia do país, dividindo os frutos do crescimento, de maneira desigual e até mesmo dificultando uma correlação cem por cento entre estas duas variáveis. Portanto, cabe aos agentes da política encaminhar eficientemente uma melhor distribuição do produto nacional e dar oportunidade a todos indistintamente participarem da economia como elemento econômico de suma importância ao crescimento e desenvolvimento nacional.


 

[1] BELTRÃO, Calderon. In: COSTA, Rubens Vaz. Crescimento Populacional e Desenvolvimento Econômico. Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil, 1970, pg. 28.