Este texto forma parte del libro
Ensaios de Economia
de Luis Gonzaga da Sousa
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A DINÂMICA MONETARISTA



Ao serem superadas as formas de intercâmbio comerciais que se processaram durante o período de uma economia de escambo, isto é, um sistema econômico onde prevalecia a troca direta de produtos por produtos, e não estava ainda determinada uma estrutura onde consolidasse o emprego da moeda fiduciária, é que nasceu a economia monetária. Numa economia de escambo, os agentes econômicos trocavam apenas os seus excedentes, sem uma preocupação direta na estocagem, tendo em vista alguns produtos terem em sua formação, o grande poder de autodestruição, ou de maneira mais direta, deteriorem-se. Neste sentido, os excedentes que determinado produtor possuía, deviam imediatamente ser substituídos por aqueles que seu dono estava precisando; pois, dentro de uma conversão de valores, estabelece-se o padrão de troca entre os produtos.
Como se tem notícia, muitos produtos serviram como medida de troca entre as mercadorias a serem cambiadas, como foi o caso do cigarro, do peixe salgado, de alguns animais pequenos, de algumas especiarias, até chegar aos metais preciosos, tais como ouro, cobre, prata, ferro, etc. O início da estrutura monetária que existe nos dias atuais vem justamente desta evolução, até a origem das moedas papéis, dos títulos de crédito, o dinheiro propriamente dito; e, daí, ficando a economia numa troca indireta que perdura até hoje. Inegavelmente, a economia monetária vem em constantes desequilíbrios em decorrência da ganância dos poderosos donos do capital monopolista, obstaculando o bom desempenho que a moeda poderia desempenhar, em uma estrutura político/econômica, onde prevalecesse o papel moeda apenas como meio de troca, e não como elemento especulador.
A moeda papel que se utiliza na economia como meio de facilitar a circulação da produção nacional vem do processo de evolução das transações econômicas, com objetivo de melhor direcionar o que foi produzido dentro da nação, a todas as camadas sociais, simplesmente sem ter que levar grandes montantes de produtos a longas distâncias, a fim de se conseguir um bom negócio pela sua mercadoria. Na verdade, o poder concentrador que também surgiu da evolução do capitalismo, teve o seu papel na história da economia, onde nasceram os pequenos, micros, médios e grandes produtores, criando as classes sociais dentro da própria estrutura de competição, e isto foi mais fácil para a moeda não ter unicamente o seu papel de meio de troca, para se ajustar ao seu novo objetivo, que seria o de especulação em detrimento de facilitar o acesso de todos ao produto nacional.
A moeda que circula na economia tem uma repercussão de fundamental importância à dinamização das atividades que estão sendo desempenhadas, causando facilidades e também dificuldades, que culminam com desequilíbrios perturbadores do sistema, tais como inflação, desemprego, decrescimento econômico, que, por tabela, aparecem, as crises. O volume de moeda, ou como se diz na terminologia econômica, a oferta de moeda, ou base monetária, tem o poder de dinamizar o desenvolvimento econômico; quando for necessário mais investimento, através de um aumento na quantidade de moeda que a economia precisa. Por outro lado, uma economia super, ou simplesmente aquecida, faz com que haja uma diminuição no nível de investimento, para uma recondução ao equilíbrio, isto se faz pelo método da contração da base monetária e, desta forma, espera-se que se eliminem os desajustes econômicos.
O processo de contração e expansão da base monetária, ou oferta monetária, em um sistema econômico, chama-se de política monetária, ou como os economistas acham de cognominar de monetarismo, quer dizer, uma política onde se usa única e exclusivamente, o malabarismo de injeção e/ou não de moeda para eliminar os desequilíbrios que a economia passar. Disto surge a seguinte pergunta: como as autoridades monetárias conseguem aumentar, ou diminuir a oferta de moeda na economia? Para esta pergunta, a resposta passa pelo crivo da modalidade monetarista de eliminação dos desajustes econômicos, e isto será feito de três modos, tais como: mudança na taxa de redesconto, no volume dos títulos que estão no mercado aberto (open market), variação na taxa de depósitos compulsórios junto ao Banco Central, e na base monetária propriamente dita.
As medidas de mudança na base monetária constituem as flexibilidades que as autoridades monetárias têm para controlar as atividades econômicas pelo lado monetarista, cuja repercussão deixa o sistema econômico vulnerável ao equilíbrio, ou ao desequilíbrio, se não forem bem utilizadas como medidas de ajustamento da economia. A política monetarista delibera sobre a quantidade de moeda que deve circular, dentro da nação, de tal maneira que o valor da produção nacional seja igual à quantidade de moeda para a circulação desses produtos, entre as diversas classes sociais. Pois, o mercado de capitais e os bancos comerciais, tanto impulsionam o sistema econômico ao desenvolvimento, como retardam suas atividades se não forem bem dirigidas ao processo produtivo, e estes elementos de controles são imprescindíveis ao ajuste da economia nacional.
Mas, quais são as repercussões mediatas e imediatas, que advirão de decisões tomadas, com a utilização de uma política monetária? Os efeitos de uma política monetária têm alcance de longo e de curto prazos, quer dizer, imediato e mediato, tendo em vista que algumas variáveis recebem os impactos momentâneos e outros esperam o processo de ajustamento da economia para alcançar a estabilidade. Imediatamente, verifica-se que, uma variação na oferta de moeda significa uma mudança na taxa de juros que vai assumir mudanças em quase todas as variáveis no sistema econômico, se bem que, na verdade, todas essas variáveis serão envolvidas no processo, é claro, em tempos diferentes, onde aos olhos do observador desinformado, a crise continua. Um outro efeito que aparece depois é o aumento de preços, que atua diferentemente em todos os setores da economia.
Além da variação da taxa de juros na economia, como efeito direto e imediato, a variação na base monetária, causa também mudança no nível de emprego, expandindo-o, ou contraindo-o, devido ao efeito caixa real sobre o nível de investimento e, por conseqüência, ter-se-á uma mudança na produção nacional. Todos esses acontecimentos empurram o país à recessão, ou à expansão, desvalorizando, ou valorizando a moeda nacional e isto facilita, ou dificulta as transações com o exterior, no caso das exportações e importações de produtos nacionais e internacionais. Qualquer clima de que a economia vai bem ou mal, o termômetro maior da economia acusa calmamente sem dificuldade, que é a inflação; todavia, não adianta tentar acabar a inflação, o que é preciso é acabar com os elementos que causam a inflação, pois, a inflação é resultado destes desequilíbrios.
Inegavelmente, o excesso de moeda no sistema, causa problemas internos que por sua vez, refletem nas relações com o exterior; entretanto, deve-se levar em consideração que a política monetarista não é a única causa dos desajustes da economia e quem pensar que o monetarismo exacerbado não causa problemas econômicos e sociais na economia, não a conhece claramente. O excesso de moeda na economia cria uma demanda agregada, absoluta ou relativa, maior do que a oferta agregada, onde os aumentos de preços são fatais, desajustando a economia e distribuindo renda no sistema econômico, de maneira desigual, formando os bolsões de miséria, as desigualdades regionais e, sobretudo, o avanço dos oligopólios em forma de conluios, cartéis, pools, e muitas outras formas de exploração do bolso alheio, tornando-o submisso e dependente sem perspectivas.
Do mesmo modo que o excesso de moeda faz mal à economia, a escassez também constitui um problema de gravidade tal qual o seu excesso; pois, uma economia não pode viver desequilibrada, quer dizer, existir excessos, quais sejam positivos, ou negativos e é, neste sentido, que a formação de concentrações significa um sério problema para a economia; porém, se isto não acontecesse, a mão invisível de Adam SMITH (1776), funcionaria perfeitamente bem, devido se obedecer a uma competição impessoal e indireta. É claro que a competição perfeita nunca existiu na realidade, contudo, os indícios são fortes, no sentido de que as concentrações e centralizações tomaram impulso a partir da Revolução Industrial, do século XVIII, na Inglaterra, inviabilizando profundamente as hipóteses de uma economia livre, cuja força competitiva ajustaria o sistema econômico como um todo.
A inviabilidade de uma economia monetária começa a ter problemas quando as concentrações e centralizações atingem o sistema financeiro e se assume de fato a moeda como um elemento especulativo, em detrimento dos setores produtivos da economia, como o setor de transformação da produção, ou indústria de beneficamente e o setor rural, ou comumente chamado de setor primário da economia. Como a economia está voltada para o setor financeiro, ou especulativo, os agentes econômicos que têm uma certa quantidade de moeda-dinheiro, não buscam mais uma aplicação diretamente na produção; mas, desvia sempre para um certo faturamento no open-market, caderneta de poupança, ou qualquer título que renda juros, pois, dentro de uma estrutura inflacionária, e considerando uma economia desequilibrada, os ganhos são compulsórios e certamente compensam tal aplicação.
A economia monetária no mundo hodierno não tem mais a sua eficácia, tal como, aconteceu em alguns tempos passados; entretanto, é preciso que se busque um caminho para delinear uma estrutura econômica que seja eficaz. Como se observa na economia mundial, as dívidas externas dos países do terceiro mundo avolumam-se cada vez mais, devido às dificuldades que a política monetarista tem imposto como solução para a saída da crise, como países insolventes, mas, as recessões têm sido maiores e os países devedores afastam-se muito mais da solução de seus problemas. Todavia, a solução mais próxima seria acabar com a moeda de todos os países e criar uma estrutura de padrão de pagamento que dinamizasse o país devedor e solucionasse a questão da dívida das nações pobres, ou periféricas, pois, o monetarismo está em crise e sua solução não é fácil de ser debelada.