EXPORTAÇÕES GAÚCHAS DE CARNE BOVINA PROCESSADA PARA OS EUA
Observatorio de la Economía Latinoamericana

 


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas  ISSN 1696-8352

 

Economía do Brasil

 

EXPORTAÇÕES GAÚCHAS DE CARNE BOVINA PROCESSADA PARA OS EUA

Leandro Vilar Santos
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
leandrovilar20@gmail.com

Eduardo Mauch Palmeira
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
eduardopalmeira@brturbo.com.br

 

ABSTRACT : The present work has for objective analyzes gaucho exportations of processed bovine meat destined to the United States of America, raising aspects of the Brazilian legislation that qualifies the cold storage rooms to export, brought up to date for effective circular them, where the self-control mechanisms are pointed. Also the American requirement is boarded north with respect to importation of Brazilian processed bovine meat, in what it says respect the application and fiscalization of the HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points). Not forgetting the analysis statistical for exportation of the processed for the American markets north and world-wide bovine meat, as well as the main competitors and commercial partners, valley to stand out, that the work is, especially, directed for the exportations of the state of the Rio Grande Do Sul. The study it is based for research on international specialized magazines, for research in sites of web, as well as, interviews with professionals of the beef sector of the areas of over sea trade, quality control, and engineering and project, not obstante, for visitation to the exporting cold storage room of processed bovine meat, Pampeano Foods S/A.

Key Words: Exportation - Processed Bovine Meat - Self-control - Hazard Analysis and Critical Control Points (HACCP) - United States of America.

 

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Vilar Santos, L. y Mauch Palmeira, E.: "Exportações gaúchas de carne bovina processada para os EUA"  en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 71, 2006. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/


 

 

VER ARTIGO COMPLETO EN PDF

INTRODUÇÃO

 

O mercado internacional está cada vez mais aberto, isto devido à necessidade das nações de suprir a carência de produtos escassos. Levando em consideração este contexto de comércio exterior, justifica-se o interesse de empresas a comercializar com outras nações. Porem para haver o comércio internacional, regras são estipuladas, por órgãos nacionais e internacionais. No que se refere a órgãos internacionais o que está em maior evidência é a OMC (Organização Mundial do Comércio), por outro lado tem de haver o cumprimento das legislações vigentes dentro dos mercados nacionais.

As empresas que ousam a se lançar ao mercado internacional têm que ter a consciência do dever sobre a aplicação das regras do seu país e, também, atender as exigências do país, parceiro comercial, bem como atender as regras internacionais.

No que diz respeito ao mercado norte americano para carne bovina processada gaúcha, este se encontra em expansão, tendo em vista o consumo norte americano de carne vermelha, principalmente no que diz respeito à praticidade do produto industrializado, pois o consumidor norte americano por estar envolvido com atividades diárias fica a mercê dos fast-foods, já aqueles que estão preocupados com a saúde e qualidade de vida, procuram alimentos práticos e menos calóricos. 

   Desta forma o presente trabalho buscou informações e estatísticas necessárias para o bom entendimento do mercado gaúcho de carne bovina processada para o mercado norte americano, e, em particular, o conhecimento das legislações vigentes, bem como as exigências do governo norte-americano para a importação de produtos brasileiros do setor cárneo, em especial de carne bovina processada de NCM 16.02.50.00.

O estudo aborda os mercados Norte Americano, Brasileiro e Gaúcho, traça um paralelo comparativo sobre eles, objetos de análise deste trabalho

Desta forma busca-se informar ao leitor o que se faz primordial, no que se refere à exportação gaúcha de carne bovina processada para os Estados Unidos da América, em relação às exigências e legislação, bem como a situação do mercado norte americano para o referido produto.

 

 

 

Mercado Norte Americano e Mundial para Carne Bovina

 

A população norte-americana é grande consumidora de proteína animal, por essa razão, apresenta um expressivo potencial para o crescimento do mercado de carne processada brasileira, em especial a gaúcha.

Até os primeiros anos do século XXI, as exportações brasileiras mantinham certa estabilidade, pois exportava-se praticamente Corned Beef (carne bovina cozida enlatada), porém, nos últimos anos a indústria brasileira de processamento de carne bovina, vem desenvolvendo novos produtos, como carne bovina cozida congelada, Beef Jerky (carne desidratada), Dried Beef (carne seca), além de outros produtos enlatados feitos à base de carne.

Atualmente, o maior importador mundial de carne bovina é o mercado norte americano, dessa forma esse cenário se apresenta de maneira favorável às exportações brasileiras e gaúchas.

De acordo com a revista especializada (Meat Intenational, 2006: p. 8-10), “Demand exceeding supply: beef market strong”, a demanda está excedendo a oferta no referido  mercado de. Essa reportagem destaca como está atrativo o mercado de carne no comércio internacional, como o principal consumidor cita o mercado norte- americano, devido à grande demanda dos EUA por carne processada, pelas razões já assinaladas

Assim, é possível visualizar o potencial desse mercado inserido no cenário internacional: está em expansão, devido à alta demanda mundial, porém o fornecimento é insuficiente, visto a procura mundial por produtos à base de carnes (em especial no que se refere a carne bovina). 

No mês de agosto, do presente ano, a revista norte americana THE NATIONAL PROVISIONER (2006) realizou uma reportagem especial sobre o Beef Jerky, produto exportado pelo frigorífico “Pampeano Alimentos S/A” do estado do Rio Grande do Sul, com o título, Mystery Solved; nessa reportagem é enfatizada a “febre” do consumidor norte-americano pela carne desidratada, faze, igualmente, referência às informações nutricionais do produto, o qual constitui-se num produto de baixo nível carbóico, alimento quase livre de gordura. Dessa forma, as famílias norte-americanas estão adotando, em suas dietas, este produto, muito em face dos problemas relacionados ao fato do crescente número de obesos existentes naquele país. Esse produto é muito consumido por crianças, adolescentes, e, em especial, pelos caminhoneiros norte- americanos, pois eles o consumem como “aperitivo”, assim como nós, brasileiros, consumimos os chips norte-americanos, eles consomem o nosso Beef Jerky.

Por isso o mencionado mercado, altamente consumista, está cada vez mais aberto para os produtos brasileiros, não só para o Beef Jerky, como para os demais produtos de carne bovina processada oriunda do Rio Grande do Sul, visto a procura norte-americana por produtos à base de carne bovina de baixos níveis de gordura e carboidratos, encontrados, por exemplo, no Beef Jerky.

  O mercado da união européia, no que se refere à carne bovina, continua crescendo, não obstante o mercado japonês, um dos maiores importadores de carne bovina do mundo, também estar em ascensão, mercado em que o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo - recentemente ultrapassou a Austrália em toneladas exportadas - não está incluso na lista dos maiores exportadores; assim pode-se ver esse potencial mercado, para futuras negociações, com maior entusiasmo, no que diz respeito à comercialização de carne bovina.

Em 2006, exportações brasileiras de carne bovina registrarm um faturamento de US$ 353 milhões em setembro, o que representa um aumento de 30 % em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), foram embarcadas 201 mil toneladas, contra 187 mil toneladas em setembro de 2005. No ano, já foram exportadas US$ 2,8 bilhões, 17,58 % a mais do que no mesmo período do ano anterior. Foram embarcadas 1,7 milhão de toneladas, o que representa um crescimento de 3,7 % em comparação ao igual período de 2005.

Segundo a ABIEC, a Rússia é o principal destino da carne in natura, já que apresentamos vendas de US$ 399 milhões. O Egito vem em segundo lugar, com uma receita de US$ 308 milhões, seguido por Holanda, Itália, Reino Unido, Argélia e Alemanha.

No caso da carne industrializada, o principal comprador nos primeiros noves meses do ano foram os Estados Unidos, que compraram 118 mil toneladas, ao custo de US$ 205 milhões, seguidos pelos países Itália e Reino Unido.

A associação lembra que o mês de setembro é tradicionalmente marcado pelo recuo nas exportações de carne bovina, mas ainda assim a receita cambial manteve a média. Para a ABIEC, o que torna setembro diferente dos outros meses é a realização do Ramada, período no qual os países islâmicos jejuam (alimentação sem carne de qualquer espécie)  durante um mês e, por isso, as operações comerciais são reduzidas.

Na União Européia, as operações comerciais também diminuem (por setembro ser um mês de pós-férias); as empresas tradicionalmente diminuem as operações, é o momento em que montam estratégias para as compras das festas de fim de ano.

Vale, mais uma vez, ressaltar o crescimento brasileiro até o mês de setembro de 2006, que foi de 30%, o que reflete a atratividade do setor, visto o seu crescimento substancial, o que potencializa as exportações de carne bovina.

Assim, faz-se interessante a análise das exportações brasileiras de carne bovina industrializada (processada) para os Estados Unidos da América num período de quase sete anos, a seguir demonstradas no quadro 1.

      

 

Quadro 1. Exportações de carne bovina processada Brasileira para os EUA

 

 

Período

US$ FOB

Kg

2000

26.340.593

15.298.810

2001

23.768.110

13.983.543

2002

26.457.392

15.903.165

2003

26.018.253

15.613.208

2004

42.568.742

21.631.173

2005

39.963.745

18.506.647

2006
(até setembro)

45.518.942

19.240.329

Fonte: Elaboração do autor com base nos dados do site de pesquisas estatísticas do governo federal Aliceweb.

 

 

 Gráfico 1. Exportações de carne bovina processada Brasileira para os EUA

 

 

Fonte: Elaboração do autor com base no quadro 1.

 

  Nota-se que nas exportações brasileiras durante o período analisado, até aproximadamente dezembro de 2003, houve uma certa estabilidade, a oscilação foi pequena, tanto para mais como para menos, tal cenário se justifica pela exportação de basicamente um único produto, já anteriormente mencionado, o Corned Beef.  Depois desse período, devido ao desenvolvimento de novos produtos, o ano de 2004 apresentou um aumento significativo das exportações de carnes bovinas processadas; sofreu uma queda, no ano de 2005, devido à paralisação das importações norte- americanas em abril de 2005, justificada pelas autoridades dos EUA com a inconsistência da aplicação dos programas de autocontrole, retorna, em dezembro de 2005, depois da visita dos agentes norte-americanos aos estabelecimentos brasileiros.

Já no presente ano as exportações tiveram um crescimento de trinta por cento frente ao ano de 2004, números recordes para as exportações de carne processada.

Vale salientar; mais uma vez destacando que os maiores importadores de carne bovina processada brasileira são a União Européia, os Estados Unidos e a Rússia.

 

Estatística, principais concorrentes e países importadores de carne bovina processada do Rio Grande do Sul

 

Atualmente o estado do Rio Grande do Sul conta apenas com um único frigorífico habilitado para exportar carne bovina processada para os Estados Unidos da América, frigorífico situado na metade sul do estado, no município de Hulha negra, cuja razão social é  Pampeano Alimentos S/A.

A companhia conta com quarenta e três parceiros comerciais, abaixo eles estão listados  em ordem alfabética:

Alemanha; Antígua; Arábia Saudita; Argélia; Aruba; Austrália; Bahamas; Barbados; Bélgica; Benin; Bermudas; Canadá; Curaçau; Cyprus; Egito; Emirados Árabes Unidos; Espanha; Estados Unidos da América; Filipinas; Gana; Holanda; Ilhas Caiman; Jamaica; Japão; Jordânia; Kuwait; Líbano; Malta; Mauritius; Noruega; Nova Guiné; Panamá; Peru; Porto Rico; Qatar; Reino Unido; República Dominicana; Santa Lucia; São Vicente; Singapura; Suriname; Tahiti; e Tortola.

As referidas nações, atualmente, são todas parceiras comerciais do Rio Grande do Sul, no que diz respeito às exportações de carne processada.

Os dez principais parceiros do Rio Grande do Sul, em termos de valor, US$ FOB (Free On Board/ Livre a Bordo), são:

1.      Reino Unido – US$ FOB – 12.201.035

2.      Estados Unidos da América – US$ FOB – 10.628.393

3.      Alemanha – US$ FOB – 2.278.468

4.      Holanda – US$ FOB - 1.884.108

5.      Porto Rico – US$ FOB – 1.439.898

6.      Espanha – US$ FOB – 1.250.111

7.      Canadá – US$ FOB – 1.172.334

8.      Filipinas – US$ FOB – 795.282

9.      Bélgica – US$ FOB – 658.747

10.   Jamaica – US$ FOB – 448.341

 

As informações acima mencionadas consistem em dados de janeiro a setembro de 2006, cedidos pela empresa  Pampeano Alimentos S/A, referentes às exportações de carne processada, incluindo a carne bovina.

No Tabela 1 pode-se acompanhar o desempenho gaúcho nas exportações de carne bovina processada destinada ao mercado norte-americano nos últimos sete anos.

 

 

 

 

Tabela 1. Exportações Gaúchas de Carne Bovina Processada para os Estados Unidos da América

PERÍODO

 

US$ FOB

KG

2000

1º trimestre

2.923.740

1.530.538

 

2º trimestre

1.691.030

901.392

 

3º trimestre

3.187.932

1.751.506

 

4º trimestre

3.061.987

1.611.576

 

 

 

 

2001

1º trimestre

1.579.026

896.252

 

2º trimestre

1.883.607

1.035.210

 

3º trimestre

1.709.102

872.424

 

4º trimestre

1.822.027

978.246

 

 

 

 

2002

1º trimestre

1.432.541

818.852

 

2º trimestre

3.045.895

1.652.448

 

3º trimestre

2.163.141

1.234.259

 

4º trimestre

1.454.536

767.880

 

 

 

 

2003

1º trimestre

2.497.270

1.429.181

 

2º trimestre

1.101.382

685.855

 

3º trimestre

898.400

572.016

 

4º trimestre

1.567.674

809.763

 

 

 

 

2004

1º trimestre

1.967.950

934.757

 

2º trimestre

2.727.506

1.275.492

 

3º trimestre

2.825.820

1.299.782

 

4º trimestre

2.007.284

911.793

 

 

 

 

2005

1º trimestre

4.723.447

2.094.794

 

3º trimestre

0

0

 

4º trimestre

1.403.592

494.239

 

 

 

 

2006

1º trimestre

3.396.232

1.211.461

 

2º trimestre

2.968.571

1.128.543

 

3ºtrimestre

2.910.445

990.272

 

 

 

 

Fonte: Elaboração do autor com base no Aliceweb.

 

 

 

 

 

 

 

 

Gráfico 2. Exportações gaúchas de carne bovina processada para os EUA

 

Fonte: Elaboração do autor com base na tabela 1.

 

Através da tabela e da figura acima, pode-se ter uma noção trimestralmente do desempenho gaúcho na exportação de carne bovina processada para os Estados Unidos da América. Acima, pode-se verificar que o mercado de carne bovina industrializada se mantém oscilante durante todo o período em análise, porém destacam-se dois períodos em especial, ambos no ano de 2005, o primeiro trimestre em que as exportações bateram recordes; no terceiro trimestre de 2005, as exportações gaúchas foram iguais a zero, devido a, já mencionada, paralisação das importações norte-americanas do produto em estudo, as exportações foram retomadas no término do ano, devido à padronização frigorífica que ocorreram para enfrentar as exigências norte-americanas.

É válido citar, também, os principais concorrentes brasileiros no comércio internacional de carne bovina processada: Argentina, Uruguai e a Dinamarca. Já no que se refere à concorrência frente ao Rio Grande do Sul, o único estado da federação que industrializa carne bovina é o estado de São Paulo.

O estado de São Paulo atualmente é o maior exportador brasileiro de carne bovina processada, uma vez que comporta dois dos maiores frigoríficos brasileiros, o Friboi e o Bertin, situados nas cidades de Andradina, Presidente Epitáfio, Lins e Barretos. 

No que diz respeito à legislação brasileira, as empresas que pretendem exportar, tem de atender, em especial, duas circulares, a circular nº175/2005/CGPE/DIPOA, e a circular nº176/CGPE/DIPOA. Estas circulares implantam um sistema que as empresas alimentícias têm de seguir no que se refere ao autocontrole produtivo. Para melhor entendimento das circulares acessar o site federal do ministério da agricultura, /www.agricultura.gov.br//.

No que diz respeito às exigências norte americanas, eles exigem a perfeita aplicação do APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), este programa de autocontrole, funciona da forma preventiva de perigos de contaminação alimentícias. Cada etapa do fluxograma produtivo é altamente fiscalizado, desde a chegada da matéria prima até o embarque do produto final, são analisados, individualmente, cada processo, também as empresas neste processo de autocontrole, tem de seguir sete princípios para a boa aplicação do APPCC:

Princípio 1: executar uma análise de riscos.

Princípio 2: determinar os pontos críticos de controle (PPCs).

Princípio 3: estabelecer os limites críticos.

Princípio 4: estabelecer os procedimentos de monitoramento.

Princípio 5: estabelecer ações corretivas.

Princípio 6: estabelecer os procedimentos de verificação.

Princípio 7: estabelecer os procedimentos de registro e documentação.

 

 

Com a aplicação do programa APPCC, bem como os seus sete princípios fundamentais, e o correto seguimento das circulares citadas, as empresas brasileiras estarão aptas a ter relações comerciais com os Estados Unidos da América, porém é valido salientar que o governo norte-americano envia periodicamente agentes de fiscalização para visitar os frigoríficos habilitados a exportar para os EUA, a fim de verificar a consistência da aplicação do APPCC  em  nossas indústrias.     

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

Alice Web. www.aliceweb.desenvolvimento.gov.br/ acessado em setembro outubro e novembro de 2006.

Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne. www.abiec.com.br/ acessado em setembro, outubro e novembro de 2006.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. www.agricultura.gov.br/ acessado em outubro de 2006.

Brasil. Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. www.desenvolvimento.gov.br/ acessado em setembro, outubro e novembro de 2006

CASSELL, Deborah. The National Provisioner. 08/2006

HACCP Consulting Group. www.haccpcg.com/ acessado em outubro de 2006.

Meet Internatinal. 2006: Vol.16. No. 2

Radar Comercial. www.radarcomercial.desenvolvimento.gov.br/ acessado em outubro e novembro de 2006.


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