Competitividade das exportações brasileiras de couro
Observatorio de la Economía Latinoamericana

 


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas  ISSN 1696-8352

 

Economía do Brasil

 

Competitividade das exportações brasileiras de couro

Claudia R. V. Ropke
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
clauropke@hotmail.com

Eduardo Mauch Palmeira
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
eduardopalmeira@brturbo.com.br

 

RESUMO
O trabalho busca analisar a competitividade das exportações brasileiras de couro no período de 2000 a 2004, através do cálculo dos Índices de Vantagens Comparativas Reveladas (VCR), de Balassa (1989), que é um indicador prático que torna possível determinar, indiretamente, a vantagem comparativa que um país ou produto tem no mundo. Nesse período, o Brasil tornou-se o maior exportador mundial de couros em termos de volume. Para atender a essa crescente demanda, tornou-se essencial melhor conhecer a posição competitiva do Brasil na exportação do couro brasileiro, que contribui para gerar divisas para o país. O Brasil no período estudado melhorou seu desempenho em termos de índice VCR em 20,18%, o que demonstra a capacidade que os exportadores brasileiros têm em acompanhar as tendências de mercado. Enfim, através de pesquisas bibliográficas, dados estatísticos, entrevistas com lideranças do setor coureiro, o trabalho tem como objetivo central explicitar a competitividade das exportações brasileiras de couros.

Palavras-chave: Couro, Competitividade, Comércio Internacional.

ABSTRACT
The work search to analyze the competitiveness of the Brazilian exports of the leather, from 2000 to 2004, through the Revealed Comparative Advantages (RCA), Balassa (1989), practical indicators that make it possible to determine, indirectly, the comparative advantages that a country or product has in the world.. In this period, Brazil became the world’s largest leather exporter in terms of volume. To meet the increasing external demand, it necessary to better know the Brazil competitiveness position on exportation of the brazilian leather that help to bring richness for the country. Brazil in the studied period, improved its performance in terms of index VCR in 20,18%, what it demonstrates the capacity that the brazilian exporters have in following the market trends. Finally, through bibliographical researches, statistical data and interviews with leaderships of the leather sector, the work has as central objective to show the competitiveness of Brazilian exports of leather sector.

Key-words: Leather, Competitiveness, International Trade.
 

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Ropke, Claudia R.V. y Mauch Palmeira, E.: "Competitividade das exportações brasileiras de couro"  en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 71, 2006. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/


 

 

VER ARTIGO COMPLETO EN PDF

INTRODUÇÃO

A internacionalização do couro brasileiro é consistente, sustentada e definida, seguindo a estratégica setorial de nunca ter como foco a política de exportação de excedentes, como ocorreu em outros segmentos da economia nacional em passado recente. A produção é suficiente para suprir o mercado interno e atender a crescente demanda externa.

Considerando que o Brasil apresenta grande potencialidade na exportação de couro, crescente aceitação no mercado internacional e significativo aumento da participação do país no total das exportações mundiais, torna-se importante avaliar a competitividade do produto brasileiro, mediante a evolução dos valores exportados em determinado período, visando fornecer subsídios para que a atividade possa manter-se competitiva no mercado internacional e ampliar sua participação naquele mercado.

O presente trabalho pretende determinar a competitividade das exportações brasileiras de couro, caracterizar o mercado nacional e mundial das exportações de couro, com os principais exportadores e importadores. Enfim, calcular os índices de comércio exterior pertinentes, como a Vantagem Comparativa Revelada[1] (VCR), definida por Balassa (1989), das exportações brasileiras de couro últimos 5 anos.

 

MERCADO

Maior exportador de couro do mundo em volume, tendo a Itália, China e Hong Kong como os principais destinos dos couros em 2005, com participação de 23,7%, 17,8 % e 16,6%, respectivamente, processando ao redor de 42 milhões de unidades e exportando cerca de 28 milhões de peças, o Brasil vem aumentando e qualificando sua participação no mercado mundial. O Brasil arrebatou o primeiro posto da China, que está produzindo cerca de 40 milhões de unidades.

A cadeia produtiva brasileira do couro é um dos grandes motores da economia brasileira, conforme se depreende de seus indicadores de desempenho: o setor movimenta receita anual superior a US$ 21 bilhões, congrega cerca de 10 mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas, e exportou US$ 4,2 bilhões no ano de 2005. O couro brasileiro é exportado para 85 países, nas mais diversas apresentações, como calçados, móveis, artefatos, e estofados para automóveis e aviões, dentre outros produtos de alto valor agregado.

O complexo industrial é formado pelas indústrias de curtumes, de calcados, componentes, máquinas e artefatos. Como decorrência desta abundante produção, o Brasil conquistou a pole position no mercado internacional de exportações, superando os Estados Unidos, que durante muitos anos deteve esta posição com exportação de couros em matéria-prima. E ainda, os embarques brasileiros, da ordem de 28 milhões de peças, são cerca de 35% maiores do que o volume total exportado pelos Estados Unidos, que somaram 20 milhões de unidades, de acordo com o presidente do CICB, Umberto Cilião Sacchelli[2].

O Brasil tem o maior rebanho comercial bovino do mundo, estimado em 204,5 milhões de cabeças, sendo o maior exportador mundial de couros bovinos, em volume. O país tem grande potencial de crescimento neste mercado em razão da disponibilidade de área de baixo custo, clima favorável, raças adaptadas e a adoção de novas tecnologias de manejo e melhoria genética, podendo assim consolidar a posição do Brasil como um dos mais importantes players do mercado internacional de couros.

 

METODOLOGIA

Fontes de dados

Os dados foram coletados por meio de pesquisa bibliográfica em livros, revistas e jornais especializados, estudos sobre o tema do trabalho e pesquisa telematizada: buscou-se dados através da Internet, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX); Internacional Trade Center (INTRACEN) e do World Trade Organization (WTO). Além de informações obtidas com especialistas e dirigentes de entidades representativas da cadeia coureiro-calçadista, através de entrevistas via telefone, pessoais e via correio eletrônico todos relacionados com os objetivos do estudo.

Análise de dados

Como indicação da competitividade das exportações, foram comparadas as médias do período de 2000 a 2004, através do cálculo dos Índices de Vantagens Comparativas Reveladas (VCR), de Balassa (1989).

O Índice de Vantagens Comparativas Reveladas está fundamentado na Teoria das Vantagens Comparativas desenvolvido por David Ricardo (1817). O resultado VCR demonstra se um país possui vantagem comparativa para determinado produto, confrontando sua participação na pauta exportadora nacional e mundial. Segundo Barbosa e Waquil (2001), “O índice acima da unidade indica que o país possui uma vantagem comparativa para o bem k, enquanto para valores abaixo da unidade o país em questão apresenta uma desvantagem comparativa revelada”. Quanto mais alto for o índice, maior será a vantagem comparativa do país no comércio internacional. Assim, a vantagem comparativa revelada (VCR) defini-se pela expressão:

VCR = (Xkpaís / Xtpaís) / (Xkmundo / Xtmundo)

Em que:

Xkpaís é o valor das exportações do bem k do país;

Xtpaís valor das exportações totais do país;

Xkmundo valor das exportações do bem no mundo;

Xtmundo valor das exportações totais do mundo.

Enfim, para atingir os objetivos propostos, adotou-se o Capítulo 41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) como critério de classificação do couro. Utilizou a série valores (US$), que foram analisadas com base em dados já classificados e elaborados por entidades da cadeia produtiva.

 

REPRESENTATIVIDADE DO SETOR COUREIRO

Saldo dos maiores exportadores líquidos de couro bovino

Como podemos observar na tabela 1, o Brasil só perde para Itália no saldo do comércio mundial de couro, ou seja, o Brasil é o segundo maior exportador, em termo monetário, de couro e não atua entre os 10 maiores importadores, o que acarreta um saldo positivo na balança do produto em estudo para o Brasil. 

Tabela 1 - Maiores exportadores líquidos de Couro (milhões US$)

Maiores exportadores líquidos de Couro  (milhões US$) 

Países

2000

2001

2002

2003

2004

ITÁLIA

1601

1442

1490

1720

1867

BRASIL

571

688

838

934

1134

ARGENTINA

771

764

656

684

781

CORÉIA

863

695

563

544

525

INDIA

-136057

313

364

373

368

USA

-252

-145

-85

66

305

ALEMANHA

138

141

207

174

179

REINO UNIDO

-238784

54

58

80

102

ESPANHA

-515509

-226

-205

-271

-202

CHINA

-1843

-1486

-1591

-1716

-1951

Fonte: Elaboração própria

 

COMPETITIVIDADE DAS EXPORTAÇÕES

Vantagens Comparativas Reveladas

Como citado anteriormente, o Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (VCR) permite identificar a importância de determinado produto na pauta exportadora nacional em relação às exportações mundiais. Os resultados apresentados na Tabela 1 ilustram a competitividade do produto selecionado, em relação aos demais países exportadores no mercado internacional.

Tabela 1- Cálculo da Vantagem Comparativa Revelada (VCR)

Cálculo da Vantagem Comparativa Revelada (VCR)

 Entre os dez maiores exportadores mundiais de couro - Bela Ballassa (1989)

 

2000

2001

2002

2003

2004

 ARGENTINA

17.07

15.08

14.72

14.24

16.20

 BRASIL

7.68

7.64

8.82

8.61

9.23

 ITÁLIA

8.30

7.83

8.00

7.81

7.85

 INDIA

5.11

5.46

5.73

5.72

5.32

 CORÉIA

4.39

4.20

3.83

3.11

2.67

 CHINA

1.21

1.72

1.64

1.55

1.63

 ESPANHA

1.81

1.81

1.71

1.47

1.48

 USA

0.61

0.57

0.64

0.69

0.97

 REINO UNIDO

0.66

0.55

0.56

0.61

0.68

 ALEMANHA

0.69

0.68

0.72

0.65

0.62

Fonte: Cálculo VCR do autor a partir dos dados WTO, SECEX e INTRACEN, 2006.

 

A tabela 1 apresenta os principais países concorrentes no mercado de exportação de couro. Observa-se que a Argentina apresentou o maior coeficiente da vantagem comparativa revelada, obteve índice VCR igual a 16,20 em 2004, todos bem acima da unidade, refletindo assim grande vantagem comparativa na comercialização do produto, quando comparados com os outros países exportadores. Tanto a Argentina, assim como o Brasil e a Itália, apresentaram valores alternados ao longo do tempo analisado, porém são valores crescentes, o que indica que as exportações destes países vêm ganhando espaço no mercado internacional do couro.

O Brasil no período compreendido entre os anos de 2000-04, melhorou seu desempenho em termos de índice VCR em 20,18%, o que demonstra a capacidade que os exportadores brasileiros têm em acompanhar as tendências de mercado. O que se pode observar é que a Itália perdeu para o Brasil a segunda colocação no mercado exportador de couro, posição esta que detinha em 2000-01. A partir de 2002 o país superou a Itália e distanciou-se da mesma obtendo um valor superior de VCR igual a 1,38.

Esse comportamento ocorre pelo fato do couro ter um bom crescimento das exportações frente aos demais produtos exportados por aqueles países, relativamente ao crescimento das exportações mundiais.

Um fator importante que corrobora para que a Argentina tenha um alto índice de vantagem comparativa relativamente aos demais países concorrentes ao longo dos anos, é que o valor importado deste produto, assim como o consumo interno, é muito pequeno, em contra partida, a Argentina possui um produto de alta qualidade, fazendo com que ela exporte um produto de alto valor agregado, num valor considerável, o que acarreta um saldo significativamente positivo na balança deste produto. Entre os dez países com maior exportação estão Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, os quais não possuem vantagem comparativa no mercado de couro.

O progresso tecnológico direcionado para a ampliação da eficiência produtiva nos diversos segmentos da cadeia coureiro-calçadista, ocorridos ao longo dos últimos anos, permitiram ao Brasil, por exemplo, ampliar a competitividade de suas exportações de couro no mercado mundial. Logo, a Itália que é o maior exportador mundial de couro em valores, apresentou coeficientes menores que o Brasil, isto é, a Itália não tem uma vantagem comparativa tão significativa quanto ao Brasil, mas por possuir um parque tecnológico com qualidade superior, agrega assim valores ao couro, pois é através da especialização que os países garantem vantagens competitivas, e desta forma dominam o mercado.

No que tange ao VCR da China, observa-se que ela obteve índice irrelevante de vantagem comparativa revelada ao longo de todo período estudado.  Apesar da China oferecer vantagens internas, como mão-de-obra barata, e estar em rápido crescimento sócio-econômico, ela ainda importa um valor muito maior do que exporta, o que deixa a China com uma vantagem muito pequena em relação aos seus concorrentes.

 

CONCLUSÃO

Este estudo teve como objetivo a análise da competitividade das exportações brasileiras de couro no mercado internacional, em que, foi usado como base, o método analítico-descritivo de Balassa (1989), para identificar se determinado país apresenta, ou não, vantagem comparativa revelada (VCR) na comercialização de determinado produto.

Com desenvolvimento do presente trabalho, verificaram-se quão profundas e significativas tornam-se as discussões acerca da competitividade. O Brasil vem aumentando suas exportações de couro a cada ano. Entretanto, a competitividade no mercado internacional é bastante acentuada, sendo que, para enfrentá-la, o país precisa estar constantemente atento à evolução do setor, buscando novos conhecimentos produtivos e oferecendo produtos de altíssima qualidade e, principalmente, ter plena consciência de quão competitivo é o país na comercialização internacional de determinado produto.

Logo, o resultado do Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (VCR) apresentou valores acima da unidade e crescentes para o produto selecionado ao longo do período considerado. O VCR indica que o Brasil tem eficiência produtiva e comercial quando comparadas aos outros países exportadores. De modo geral, os resultados do VCR demonstram o aumento de eficiência produtivo interna, influenciado pelos esforços do Brasil na busca da estabilização econômica, maior abertura comercial e conquista de novos mercados.

A análise desses indicadores de competitividade torna-se necessário para fornecer subsídio ao setor ao longo dos anos que se seguem, de forma que o país possa ampliar e, ou, manter sua participação no mercado internacional de couro.

 

BIBLIOGRAFIA:

AICSUL – Associação das Indústrias de curtumes do Rio Grande do Sul, 2004. Disponível em: www.aicsul.com.br. Acesso em: 15 jan. 2006.

AVANÇOS e Retrocesso na Exportação da Cadeia Produtiva Couro-Calçado. Revista Courobusiness,  n. 32, p. 13,  jan./fev. 2004.

CAMEX. Disponível em: www.desenvolvimento.gov.br/comext/camex/Acesso em: 10 mar. 2006.

CORRÊA, Abidack Raposo. O complexo Coureiro-Calçadista Brasileiro, Rio de Janeiro,2001.

FERNANDES, Amadeu. Wet Blue: a polêmica continua. Revista Courobusiness, Brasília/DF, AnoIII n. 12, jul./ago. 2000.

_____. Amadeu Fernandes: depoimento [out. 2006]. Entrevistadora: Claudia R. V. Ropke. Turuçu-RS: Curtume Arthur Lange S.A.-RS, 2006. Entrevista concedida para elaboração deste trabalho.

INFORMATIVO MENSAL DO AICSUL, ano III, n. 26, ago. 2006. Também disponível   em: www.aicsul.com.br

IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em: http://www.ipea.gov.br  Acesso: jan. 2006.

MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC/SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR - SECEX. Disponível em: http://www.mdic.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2006.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC). Disponível em: http://www.wto.org. Acesso em: 10 abr. 2006.

MEDEIROS, Ângela Maria; CÔRREA, Abidack Raposo. Panorama do Setor de Couro no Brasil. Rio de Janeiro: 2002.

REVISTA BRAZILIAN LEATHER, Disponível em: www.brazilianleather.com. Acesso em: 08 ago. 2006.

REVISTA COUROBUSINESS, n. 44, jan/fev. 2006. Disponível em: www.courobusiness.com.br Acesso em: 08 fev. 2006.


[1] Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (VCR) permite identificar a importância de determinado produto na pauta exportadora nacional em relação às exportações mundiais.

[2] Umberto Cilião Sacchelli é presidente do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), entidade de âmbito nacional, que reúne associados de empresas privadas e sindicatos da indústria de couro, filiada ao International Council of Tanners (ICT, sigla em inglês para Conselho Internacional dos Curtumes, que congrega representações em 25 países).

 


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